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last update Fecha de publicación: 2026-01-26 11:13:51

Valeria observava o relógio, aquela peça valiosa; por um momento, quis vendê-lo. Quanto dinheiro poderia conseguir por algo assim? O suficiente para pagar as contas, para respirar por um mês, talvez mais. A ideia, tão doce quanto perigosa, cruzou sua mente, um lampejo sombrio em seu momento de fraqueza.

Mas sua honestidade, enraizada mesmo nos cantos mais profundos de seu desespero, rebelou-se. Seria um roubo, um ato que iria contra tudo o que ela era.

— Não — murmurou, balançando a cabeça como se quisesse espantar o diabo.

Com um suspiro, guardou o relógio em um lugar que acreditou ser seguro, longe de olhares indiscretos, embora morasse sozinha. No final, pegou uma bolsa que costumava usar para sair, a mesma que sempre levava consigo, e deslizou o relógio para dentro, escondendo-o entre outros objetos pessoais. Ali estaria a salvo, invisível para qualquer um.

Valeria tentou retomar sua rotina, mas o sabor amargo da humilhação a perseguia. No entanto, a vida não esperava, e a necessidade econômica a obrigava a seguir em frente. Enviou mais currículos, buscando qualquer oportunidade, por menor que fosse.

Enquanto isso, Mark e Michael reportavam a Alexander naquela manhã. O telefone de Alexander tocou.

Era Mark.

— Senhor, nós a encontramos. — A voz de Mark soava tensa, mas com um matiz de alívio. — Levou mais tempo do que o esperado, mas a rastreamos.

Alexander endireitou-se na cadeira, um sorriso sombrio surgindo em seus lábios.

— E então? Quem é a nossa ladra escorregadia?

Mark começou a recitar as informações: o nome completo de Valeria, seu endereço, até mesmo seu e-mail e alguns detalhes sobre sua situação econômica, obtidos através de fontes menos convencionais.

Alexander ouviu com atenção, cada dado confirmando sua hipótese de que se tratava de alguém desesperada, alguém que "precisava" de seu relógio. Uma ideia maquiavélica começou a se formar em sua mente.

— Excelente trabalho, Mark — lançou Alexander com uma frieza calculada. — Agora, preparem um e-mail. Um convite para uma entrevista. Quero que a destinatária seja Valeria. E quero que a empresa seja o Grupo Empresarial Baskerville.

E então, um dia, o e-mail de Valeria vibrou. Uma nova mensagem, com um assunto formal e o logotipo de uma companhia desconhecida: "Grupo Empresarial Baskerville". Valeria franziu o cenho. Baskerville? O nome era tão ostensivo e longo que lhe era completamente estranho. Abriu o e-mail com cautela. Era um convite para uma entrevista de emprego.

A princípio, uma onda de surpresa a invadiu. Não se lembrava de ter enviado seu currículo para aquela empresa em particular. Sua mente repassou a lista interminável de candidaturas que tinha enviado nas últimas semanas. Poderia ser que, em seu desespero, o tivesse feito. No meio da confusão, uma centelha de esperança acendeu-se em seu peito.

Talvez, afinal, o universo estivesse lhe dando outra chance. Agarrou-se a essa ideia com todas as suas forças. Desta vez, sim. Desta vez daria certo.

Na manhã seguinte, o dia da entrevista, Valeria vestiu-se com esmero, escolhendo sua melhor roupa. O nervosismo revirava seu estômago, mas também havia uma decisão marcada em seus olhos. Ao chegar ao endereço indicado, seu fôlego travou na garganta. O edifício erguia-se imponente, um monólito de vidro e aço que se perdia entre as nuvens. Era um luxo que nunca antes tinha presenciado, mais imponente que qualquer outro escritório onde já estivera. O saguão era uma sinfonia de mármore polido e arte contemporânea.

— É... prestigiado demais — murmurou para si mesma, sentindo-se repentinamente pequena e insignificante.

Mas ela se encheu de coragem. "Eu consigo desta vez", repetiu para si mesma. "Sou capaz".

Subiu em um elevador panorâmico, que a levou a um andar ainda mais deslumbrante. Outros candidatos, com roupas impecáveis e expressões sérias, esperavam sua vez. Finalmente, chegou o momento. A secretária pronunciou seu nome e Valeria, com o coração batendo descontrolado no peito, avançou em direção à porta.

Entrou na sala de entrevistas com o olhar baixo, o peso de seus nervos e da vergonha passada ainda sobre seus ombros. Havia três pessoas sentadas atrás de uma longa mesa de mogno. Levantou lentamente a vista e, naquele instante, o mundo pareceu parar.

Seus olhos verdes, carregados de apreensão, encontraram um par de olhos acinzentados que a olhavam fixamente, intensos e frios como um bloco de gelo. Era ele. Alexander. O homem com quem tinha passado a noite.

O sangue gelou em suas veias. Seu rosto cobriu-se de um rubor ardente; a vergonha disparou, não apenas pela situação incômoda, mas pela lembrança vívida de sua vulnerabilidade, de seu desespero, de seu abandono naquela noite. Alexander, com uma expressão pétrea que não revelava nem um pingo da diversão que demonstrara na boate, a observava.

As perguntas começaram. Os outros entrevistadores falavam, mas Valeria mal os ouvia. Seu olhar continuava preso ao de Alexander, que permanecia em silêncio, sua presença dominando a sala. Quando chegou sua vez, o ar ficou ainda mais tenso.

Alexander, que obviamente era o diretor da empresa, levantou-se lentamente de sua cadeira; a figura imponente do homem a deixou mais inquieta. Aproximou-se um passo, seus olhos fixos nos de Valeria, um olhar aniquilador que a paralisou.

— Ouçam todos — começou Alexander, sua voz soando com uma autoridade gélida que gelava o sangue de todos os presentes. — Tenho o prazer de apresentar a vocês não apenas mais uma candidata para este cargo, mas também uma ladra.

Valeria sentiu o chão se abrir sob seus pés. Seus olhos se arregalaram em choque, incapazes de processar o que acabara de ouvir. O mundo girou ao seu redor. Alexander, com um sorriso cruel que mal chegou aos seus lábios, continuou.

— Sim, é isso mesmo. Uma mulher que, aproveitando-se de uma situação... conveniente, decidiu se apropriar de algo que não lhe pertencia. E não qualquer coisa, mas um pertence de grande valor pessoal para mim. Um que, por sinal, tenho a intenção de recuperar.

As palavras a atingiram como punhaladas, uma após a outra. Valeria estava impactada, petrificada. Não soube o que fazer, como reagir.

Os olhares dos outros entrevistadores, dos demais candidatos, cravaram-se nela, cheios de julgamento e assombro. Sentia-se exposta, humilhada, esmagada pela crueldade daquele homem que a acusava sem provas.

Então, como um raio, ela se lembrou. O relógio!

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Último capítulo

  • ​Uma Noite com o CEO: Grávida de Quádruplos   FIM

    EpílogoQuando os quadrigêmeos já tinham cerca de dois anos de idade, Valeria e Alexander decidiram se casar novamente. Queriam fazê-lo de maneira sincera, para que ficassem boas lembranças daquele dia, e não aquele casamento que foi realizado de forma abrupta e que fora apenas um trâmite. Valeria estava diante do espelho, olhando-se. Estava linda. Tinha lágrimas nos olhos, mas conteve-se para não estragar a maquiagem.Diana aproximou-se, também contente e cheia de muita emoção.— Felicidades, filha! — disse, com a voz tremendo de felicidade —. Realmente me alegra te ver assim. Este dia é lindo e me enche de emoção poder compartilhá-lo ao seu lado. Isso nos faz muito felizes.— Mamãe, você vai me fazer chorar com suas palavras bonitas! — exclamou Valeria, sorrindo através dos olhos umedecidos.— Desejo-te o melhor, de verdade. Assim como você tem vivido sua vida, continue fazendo-o desta maneira que te faz feliz.Abraçaram-se ali, carinhosamente. Naquele momento, apareceu Marina. Mari

  • ​Uma Noite com o CEO: Grávida de Quádruplos   157

    Quando Valeria acordou, encontrou-se em um quarto de hospital, e ao seu lado estava Alexander. Ele se inclinou sobre ela, com o rosto iluminado pelo alívio.— Que bom que você acordou, Valeria. Como se sente, querida? — perguntou amoroso, enquanto beijava sua testa e sua bochecha com uma ternura gigantesca.Ela sorriu, ainda um pouco fraca.— Acho que ficarei bem, eu acho. Suponho que já prepararam a cesárea, não é?O homem assentiu com a cabeça.— Estão te preparando. Vão te levar para o centro cirúrgico em uma hora, mais ou menos. Você acha que eu devo estar lá com você também?— Tem certeza? Você vai conseguir ficar lá sem desmaiar? — perguntou ela, um pouco divertida.Alexander sorriu com a pergunta dela.— Você acha que eu sou covarde a ponto de desmaiar no nascimento dos meus filhos? É claro que não farei isso. Não vou desmaiar, então não se preocupe.Ela assentiu com a cabeça.— Nesse caso, então não saia do meu lado.— Prometo que não sairei do seu lado, querida.Depois de mai

  • ​Uma Noite com o CEO: Grávida de Quádruplos   156

    Naquela manhã, haviam terminado de ajustar os últimos detalhes do quarto dos quadrigêmeos. Valeria e Alexander estavam contentes com o resultado. Ambos se abraçaron, olhando o espaço cuidadosamente decorado.— Eu amo este lugar — comentou Valeria, acariciando o ventre volumoso —. E pensar que faltam apenas alguns dias para o nascimento dos bebês. Estou tão nervosa e, ao mesmo tiempo, animada — admitiu, com um enorme sorriso no rosto.Alexander a abraçou pelos ombros, trazendo-a para perto de si com carinho.— Eu também estou bastante ansioso para conhecê-los — mencionou ele —. Sinto-me emocionado, e ainda é inacreditável que vou me tornar pai, e não de apenas um bebê, mas de quatro! — confessou, com um sorriso que denotava uma felicidade genuína.Valeria suspirou, inclinando a cabeça no ombro dele.— Eu não poderia encontrar homem melhor. Acho que estávamos destinados a nos encontrar — disse, em tom de brincadeira.— Por que você está rindo, Valeria? — perguntou ele, carinhosamente.E

  • ​Uma Noite com o CEO: Grávida de Quádruplos   155

    Valeria se postou diante de seu pai, com a respiração um pouco agitada pela ansiedade; precisava falar com ele e contar sobre sua reconciliação.— Papai, preciso falar com você. Agora — emitiu, buscando os olhos dele.Alejandro cruzou os brazos sobre o peito, sentindo que a calma que havia buscado ao chegar em casa se afastava. Não tinha un bom pressentimento.— Filha, seja o que for, pode esperar. Estou cansado. Podemos falar amanhã?— É sobre o Alexander.O rosto de Alejandro endureceu naquele momento. Não queria falar de Alexander. Por fim, suspirou.— E então? O que tem ele? Ele já assinou os papéis do divórcio que você tanto desejava?Valeria respirou fundo. Tinha que ser direta, apesar de não estar tão segura.— Não, Papai. Não haverá divórcio.— O que você está dizendo, Valeria? — Sua voz era grave, atônita —. Você acaba de recuperar seu sobrenome, passou pelo inferno... Depois de tudo o que esse homem te fez... depois da traição e da desonra... você vem me dizer que não vai se

  • ​Uma Noite com o CEO: Grávida de Quádruplos   154

    A moça finalmente olhou para Leo. Sua voz soou irritada pela pressão.— Por que o senhor faz tudo isso? Por que insiste em me ajudar quando eu não pedi? — balbuciou ela, não porque quisesse ser ingrata, mas porque se sentia desconfortável com a intromissão.Leo olhou para ela por um instante, um gesto de fastio. Voltou a fixar o olhar na estrada.— Quantas vezes vou ter que repetir para não ser formal comigo? Apenas me trate por "você" — repetiu.Ela suspirou sonoramente, voltando a dirigir-se a ele.— Não entendo por que você insiste em me ajudar quando claramente já fez muito por mim.— Como você quer que eu não me preocupe? Naquele dia, quando você apareceu do nada e se jogou na estrada sem pensar, parecia estar fugindo de alguém ou de algo. E agora mesmo você está com um hematoma no olho. Alguém fez isso com você. Então, diga-me quem te bateu e por que você não denuncia isso à polícia. Você deveria fazer isso para que se tomem providências contra essa pessoa.A mulher ficou novame

  • ​Uma Noite com o CEO: Grávida de Quádruplos   153

    Valeria voltou para casa. Sua mãe, Diana, percebeu que a filha parecia um pouco diferente, como se estivesse mais contente.— Você está bem, Valeria? Noto que está diferente — admitiu ela, aproximando-se —. Parece que algo bom aconteceu.Diana percebeu o reflexo da felicidade nos olhos dela, aquele brilho que voltava a resplandecer de alguma maneira. Significava que algo bom ocorrera.Valeria sorriu amplamente e abraçou a mãe.— Na verdade, você não se engana, Mamãe — sussurrou, com alegria —. Aconteceu algo muito bom. Alexander e eu decidimos começar de novo. Queremos estar juntos. Ambos sabemos que o divórcio não é algo que desejamos. Espero que entenda, Mamãe.Diana encheu-se de surpresa com a notícia, mas, ao mesmo tempo, sentiu uma felicidade genuína. Ver a filha contente fazia com que ela se sentisse da mesma forma.— É claro que estou contente por você, Valeria! Você não imagina o quanto me sinto feliz ao ouvir isso — disse ela, abraçando-a novamente.Valeria separou-se dela, c

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