Acordei lentamente, o corpo ainda preso numa espécie de névoa quente e confusa. Por alguns segundos, o cérebro teimou em acreditar que eu estava no meu próprio quarto, na cama larga e fria que compartilhava com Helena. Mas o cheiro era diferente. O colchão, não. Era o sofá. O tecido macio contra a minha pele, o apoio um pouco baixo demais para as costas, a posição torta em que eu tinha desmaiado horas antes.O apartamento estava silencioso. Silencioso demais.Abri os olhos de verdade. A luz da manhã filtrava pelas cortinas finas, pintando o chão de um dourado pálido. Levantei o tronco, sentindo cada músculo reclamar. Passei a mão pelo rosto, pelo cabelo bagunçado, e olhei ao redor como se o ambiente pudesse me dar alguma resposta.— Natália?A voz saiu mais baixa do que eu pretendia. Rouca. Estranha até para mim.Nenhuma resposta.O silêncio me incomodou de imediato. Ontem ela parecia forte, firme, resolvida a não se deixar abalar. Mas eu tinha visto o tremor nas mãos dela quando falo
Última atualização : 2026-08-06 Ler mais