Nara FerrariAcordei às cinco da manhã e não voltei a dormir. Imprimi o plano de Henry na impressora do escritório de Anthony, sentei-me à mesa da biblioteca com um lápis na mão e li o texto três vezes. Na primeira, li como noiva. Na segunda, como estudante. Na terceira, como a pessoa que seria obrigada a defender aquilo diante de um conselho se algo desse errado.A terceira leitura foi a que mais rendeu rabiscos.Às nove em ponto, a campainha toca.Henry nunca foi pontual por educação. É pontual por controle. Mas, desta vez, o minuto exato me parece quase um pedido de desculpas.Minha mãe abre a porta antes de mim, e escuto a voz dela, calorosa e discreta, dizendo que o café está na mesa. Quando chego ao corredor, Henry está parado no hall, de terno escuro e sem gravata, com uma pasta embaixo do braço.A aparência cansada continua, não é surpresa. Até a normalidade voltar, nem eu estou conseguindo ficar bem. Ele me olha, e, por um segundo, nenhum de nós diz nada.— Oi — falo.— Oi.—
Última atualização : 2026-10-02 Ler mais