Júlia repetia para si mesma que aquilo era só um jogo.Uma sequência de passos para enganar David e empurrá-lo, pouco a pouco, para as armadilhas que ela tinha preparado.Ela não deveria ficar com raiva. Deveria manter o controle, calcular, segurar o ritmo.Sempre tinha sido assim que ela brincava com as pessoas.Mas, dessa vez, a raiva tinha subido à cabeça.E a culpa não era dela. Nem de longe.Naquela noite, ela discutiu com David. Se ele tivesse dito uma única frase, aquilo já teria acabado ali. Mas não. Ele não respondeu nada, não explicou nada e simplesmente foi embora. Só isso já virava uma conta pendente.Júlia, focada em alcançar o objetivo, nem levou muito a sério. Por isso voltou a procurá-lo. Jogaram tênis juntos, jantaram juntos.Ele se preocupou com o tornozelo dela, alimentou bolas para ela na quadra, e no jantar ainda fez questão de pagar a conta.Na cabeça de Júlia, aquilo tudo era sinal claro de amizade. Um prenúncio de que logo se tornariam bons amigos.Só que nada a
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