Valentina acordou com a estranha sensação de silêncio demais.Não era o silêncio confortável da madrugada. Era outro. Um vazio específico demais para ser ignorado.Virou o rosto devagar, ainda envolta pelos lençóis macios, esperando encontrar o corpo ao lado. O calor. O peso familiar da presença que, na noite anterior, tinha sido abrigo e risco ao mesmo tempo.Nada.O lado da cama estava intacto.Ela franziu levemente a testa, sentando-se com calma, sem pressa para reagir. O quarto ainda estava em meia-luz, as cortinas parcialmente abertas deixando entrar o cinza suave da manhã paulistana. O cheiro dele ainda estava ali — sabonete, algo amadeirado, conforto perigoso.Então ouviu.A voz baixa.Vinha da sacada.Valentina levantou-se sem fazer barulho, caminhando até perto da porta de vidro, sem se expor totalmente. Rafael estava de costas, o celular encostado ao ouvido, o corpo relaxado demais para alguém que estivesse tendo uma conversa simples.— Espere um mês. — ele disse, firme, sem
Última actualización : 2026-01-26 Leer más