LaísSaí do aeroporto ao lado dele sem dizer uma palavra, mas o silêncio não era pesado, era daqueles cheios de eletricidade, do tipo que faz a pele formigar antes mesmo de qualquer toque. André carregou as malas como se fossem frágeis, colocando-as no porta-malas com um cuidado exagerado, quase cômico, como se qualquer batida pudesse estilhaçar o que quer que estivesse se formando entre nós. Eu entrei no carro e fechei a porta devagar demais, sentindo o clique ecoar no peito.Ele deu partida. O motor ronronou baixo, e começamos a sair do estacionamento. O nó no meu estômago apertou, mas não era medo ruim. Era expectativa misturada com um frio gostoso na barriga, aquele medo delicioso de quem sabe que está pulando de um penhasco e querendo cair de olhos abertos.“Se um dia você puder me apresentar de verdade pra Morrow…”, comecei, olhando fixo para o para-brisa, fingindo que a avenida era a coisa mais interessante do mundo. “Eu ficaria muito grata.”Ele manteve os olhos na pista, mas
Última actualización : 2026-02-26 Leer más