Saulo narrando Eu ainda sentia o choro da minha irmã ecoando na cabeça quando o carro parou. Maria não chorava fácil. E quando chorava… alguém tinha ultrapassado um limite que não devia. Desci sem pressa. Sem escândalo. Sem espetáculo. Vi Paulo de costas, confiante demais pra quem ainda respirava por minha permissão. Não pensei. Não anunciei presença. Agarrei o colarinho dele e puxei com força. O soco entrou limpo. Senti os ossos da minha mão reclamarem no impacto, mas a dor não significava nada. Ele cambaleou, mas reagiu rápido demais pro meu gosto, devolvendo outro soco que pegou de lado no meu maxilar. Sorri com raiva. Era isso que ele queria? Então teria. Caímos um sobre o outro como cães soltos, sem honra, sem regra. Só ódio antigo, acumulado, pronto pra explodir. Punhos, empurrões, respiração quente demais, o gosto metálico do sangue na boca. Então ouvi a voz dela. — CHEGA! Lis. Ela se meteu entre nós, empurrando meu peito como se tivesse
Última atualização : 2026-02-06 Ler mais