O rangido metálico da porta pesada ao fechar-se atrás dela foi como o som de uma cela sendo trancada. Um som final, que cortou a ligação com o mundo exterior, com as regras, com a segurança. Savanah ficou parada por um momento, seus olhos ajustando-se à penumbra.O loft era um universo à parte. O teto, perdendo-se nas alturas, era sustentado por vigas de aço enferrujadas. Janelas imensas, quadriculadas como as de uma fábrica antiga, deixavam entrar a luz fantasmagórica dos postes da rua, pintando listras pálidas no piso de concreto manchado e desgastado. O ar era denso, carregado com uma sinfonia de aromas primitivos: o odor doce e mofado da madeira envelhecida, o cheiro acre de óleo de máquina, o metálico penetrante do ferro e, por baixo de tudo, uma nota terrosa de argila úmida e turfa.Era o caos. Um caos organizado, ou talvez apenas tolerado. Esculturas cobertas com panos brancos surgiam como fantasmas gigantescos, suas formas ocultas sugerindo corpos adormecidos. Bancadas de trab
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