Silvia Bianchi A luz da sala de ultrassom era suave, quase clínica, mas para mim, parecia envolver o ambiente com um brilho de santuário. Eu estava deitada na maca, com o gel frio em contato com a minha pele, sentindo o coração acelerado não pelo medo, mas por uma expectativa que parecia expandir o meu próprio peito. Leonel estava ali, em pé ao lado do monitor, a mão firme apoiada na borda da maca, os olhos fixos na imagem em preto e branco que, para os olhos destreinados, era um borrão, mas para nós, era o universo inteiro. Nós decidimos que seria apenas nós dois. Sem celebrações elaboradas, sem fogos de artifício, sem convidados. Queríamos a intimidade do momento, a pureza da descoberta que pertencia apenas a nós, os arquitetos daquele novo destino. O médico deslizou o transdutor pelo meu ventre com movimentos precisos. O som do batimento cardíaco do bebê preencheu a sala — um galope constante, rítmico, a canção de ninar mais bonita que eu já tinha ouvido. Leonel segurou minha
Última atualização : 2026-06-24 Ler mais