Anny O dia da saída não teve música triste, nem caminhão de mudança na porta. Teve uma mala pequena em cima da cama, uma mochila no chão e uma bolsa de bebê aberta, esperando fraldas e paninhos. Eu dobrei a primeira peça de roupa com calma.— Só o que é nosso. — falei pra mim mesma.Coloquei na mala algumas roupas minhas, duas calças, alguns vestidos, duas blusas que eu realmente gostava. Na mochila foram o diário, a foto da minha família, uma lembrança boba do meu irmão mais novo, meia dúzia de coisas que cabiam em qualquer canto. O resto ficou. A cama ficou. Os móveis ficaram. Os lençóis de algodão egípcio ficaram.Era estranho perceber que, depois de tudo o que vivi ali dentro, eu continuava podendo resumir minha vida em tão pouca coisa.Ao lado, a bolsa do Andryel ia ganhando forma, roupinhas, fraldas, o brinquedo preferido, o cobertor azul que a dona Ivone deu.Samuel passava pelo quarto às vezes, levando uma caixa ou outra, resolvendo detalhes com o motorista, falando baixo
Última atualização : 2026-01-29 Ler mais