O quarto estava em silêncio.Não o silêncio tenso das decisões difíceis, nem o silêncio cheio de ruídos invisíveis do sistema. Era outro tipo — raro, quase íntimo.Lívia estava sentada no chão, encostada na lateral da cama, as pernas dobradas, o casaco jogado ao lado. O dia tinha sido longo demais. As palavras transição, afastamento, sustentabilidade ainda ecoavam como algo que tentava empurrá-la para fora de si mesma.Dante fechou a porta atrás de si sem fazer barulho.— Eles continuam pressionando — disse ela, sem olhá-lo.— Eu sei.Ele se aproximou devagar, sem invadir o espaço. Sentou-se no chão também, ao lado dela, com a mesma postura cansada de quem já não tenta parecer invencível.Ficaram assim por alguns segundos.Respirando no mesmo ritmo.— Sabe o que mais me assusta nisso tudo? — Lívia disse.— O quê?— Que eu não sei mais quem eu sou fora disso. — Ela respirou fundo. — Às vezes tenho medo de que, quando tudo terminar, eu não saiba como existir sem lutar.Dante não respond
Última actualización : 2026-02-05 Leer más