O braço de Matteo pesa sobre minha cintura mesmo enquanto ele dorme. É firme, quente, quase imóvel. Não parece um abraço — parece um limite, uma barreira silenciosa entre mim e qualquer coisa que ouse se aproximar. Ainda assim, deixo meu coração mentir para mim por alguns segundos, fingindo que é afeto. Ou talvez eu só queira acreditar nisso, porque sou eu quem gosta de estar ali, envolvida por ele. Respiro fundo antes de me mover. Com cuidado, milimétrico, retiro o corpo debaixo do braço dele. Matteo nem se mexe. Dorme como quem está sempre pronto para acordar, mas confia demais no próprio controle para se permitir vigiar até nos sonhos. Caminho pelo quarto em silêncio. Visto uma roupa confortável, quente — casaco, cachecol, botas baixas. Paris à noite não perdoa distrações, e eu preciso do frio para manter a mente desperta. Antes de sair, olho para ele mais uma vez. Deitado ali, Matteo parece… simples. Humano. Nada do homem que domina salões inteiros com uma frase curta em
Última actualización : 2026-02-03 Leer más