Meu coração ainda está disparado quando a porta da cela se fecha atrás de mim com um estrondo metálico. O som ecoa pelo corredor úmido, como um aviso: você está sozinha. Respiro fundo. Uma, duas vezes. Chorar não vai me tirar daqui. Pensar pode. Olho ao redor da cela com atenção agora, não mais como uma prisioneira desesperada, mas como alguém que precisa sobreviver. As paredes são sujas, descascadas. O colchão fino, jogado no chão. No canto, o banheiro improvisado: um vaso antigo, uma pia enferrujada… e um espelho rachado, pendurado torto na parede. Me aproximo devagar. Minhas mãos tremem quando apoio os dedos na borda da pia. Encaro meu reflexo quebrado: olhos vermelhos, rosto pálido, um corte seco no braço. Não é assim que isso termina, penso. Com força, bato o cotovelo no espelho. O estalo é alto demais. Vidro se parte. Meu coração quase salta pela boca. Espero, prendo a respiração, mas ninguém vem. Rápido, pego um dos pedaços maiores do vidro quebrado. Ele corta a p
Última actualización : 2026-02-04 Leer más