Rafael VenturaA manhã em Nova York nasceu cinzenta, com uma névoa espessa cobrindo os topos dos arranha-céus e uma chuva fina batendo contra o vidro da suíte do hotel. Acordei antes mesmo do despertador tocar. A noite tinha sido conturbada, pontuada por lapsos de sono leve e pela imagem recorrente do garanhão estendido naquela baia.Levantei-me, passei a mão pelo rosto e fui direto para a cafeteira. Precisava de café forte e preto para colocar o cérebro nos eixos. Enquanto a bebida quente caía na xícara, olhei para o relógio: sete e meia da manhã. No Brasil, na Fazenda Ventura, a lida já devia estar a todo vapor. Pensei em ligar para a Lorena, mas decidi esperar ter informações concretas nas mãos. Não queria levar mais dúvidas para a minha boneca, que já carregava a responsabilidade da casa, das crianças e da fazenda com a ajuda da minha mãe.Bebi o café de uma vez só, vesti uma calça jeans escura, botas de couro italiano, uma camisa de manga comprida e a minha jaqueta pesada. Eu não
Última atualização : 2026-08-27 Ler mais