O apartamento ainda carregava o silêncio da madrugada, mas agora era um silêncio diferente, mais vivo, mais cheio, como se algo tivesse sido aceso ali dentro e ainda estivesse se espalhando devagar pelos espaços. Verena caminhou até a cozinha sem dizer nada, pegando uma garrafa de vinho quase no automático, mais pela necessidade de ocupar as mãos do que por vontade real de beber. Era como se o corpo precisasse de um gesto simples para acompanhar a velocidade dos próprios pensamentos.Adam ficou parado por um instante, observando sem interferir. Ele não invadia o espaço dela, não quebrava o ritmo, apenas acompanhava cada movimento com uma atenção calma, presente, que não pressionava, mas também não passava despercebida. Era o tipo de presença que não exigia nada e, ainda assim, dizia muito.Verena abriu a garrafa com cuidado, pegou duas taças e serviu o vinho sem pressa, deixando o líquido escuro preencher o silêncio entre eles. Quando virou, estendeu uma das taças para ele, o olhar já
Última atualização : 2026-07-23 Ler mais