O GOSTO DA LIBERDADE O eco dos meus passos pelo hall do hotel de quinze andares ainda reverbera quando o meu celular, repousado sobre uma mesa de mármore empoeirada, vibra violentamente. O visor mostra um número internacional, uma sequência de dígitos que não reconheço, mas que traz consigo uma aura de presságio. Por um breve segundo, eu hesito. A luz pálida da tarde suburbana entra pelas clarabóias sujas, desenhando sombras longas no chão. Respiro fundo, sinto o cheiro de pó e de mudança, e deslizo o dedo pela tela. — Alô? — minha voz sai firme, ecoando pelo vazio do saguão. O silêncio do outro lado dura apenas um batimento cardíaco, sendo logo substituído por uma risada estridente, carregada de um escárnio que conheço muito bem. É o som da insegurança disfarçada de triunfo. — Ora, ora... se não é a ex-esposa traída, tentando se reconstruir nos restos que o destino lhe jogou — a voz de Julie atravessa o Atlântico como uma
Última atualização : 2026-05-15 Ler mais