HENRIQUE VALADARESMinha tia deu um passo para dentro da sala, o que fez tanto a mim quanto ao meu tio recuarmos por puro instinto de sobrevivência. Com um movimento agressivo, a tia Clarice bateu a porta, fechando-nos ali dentro. Ela abaixou a cabeça, respirando de forma ofegante, e apertou a ponta do nariz com os dedos. — Querida... olha... — Meu tio tentou murmurar, estendendo as mãos na direção dela com os olhos arregalados de pavor. — Quieto! — minha tia ordenou, com autoridade. Ela levantou o rosto, me encarando com os olhos marejados. — Há quanto tempo ele está fazendo isso, Henrique?Essa é uma pergunta para a qual a resposta sincera não seria boa. — Tia Clarice, por favor, tente manter a calma. Pense no bem-estar do bebê... — comecei, erguendo as mãos em um gesto apaziguador. — EU TÔ CALMA! — ela gritou a plenos pulmões, mas logo em seguida fechou os olhos e soltou o ar, abaixando o tom. — Eu estou calma... Só me responda a verdade, Henrique. Há quanto tempo meu marido e
Última actualización : 2026-06-27 Leer más