TrevorO ar dentro da UTI parecia subitamente escasso, denso como chumbo derretido. Sentia um nó gélido e paralisante se fechar no meu estômago no exato instante em que o monitor cardíaco, após aquele suspiro falso de esperança, voltou a apitar em um tom contínuo, estridente e impiedoso. Uma linha reta, perfeita e mortal, cruzava a tela digital. Vi os médicos baixarem os braços. Vi o Dr. Arantes tirar as luvas trêmulas, o suor escorrendo pela testa do médico experiente, e declarar a hora da morte em um sussurro derrotado.A pequena Esme, a menininha do sorriso radiante que, sem pedir permissão, havia desarmado todas as minhas defesas e me ensinado o significado de um amor puro, protetor e visceral, estava imóvel. Desfalecida. Sem vida. A palidez assustadora no rosto da garotinha rasgou o meu peito de cima a baixo. Era uma dor física, um soco seco no esterno que me tirou o ar, mas eu sequer tive tempo de processar a minha própria devastação.Porque, nos meus braços, Ruby se despedaçou.
Última atualização : 2026-08-29 Ler mais