Gregório Bernoulli O sangue pulsava nas minhas têmporas em um ritmo acelerado, quente e furioso, como se o meu corpo inteiro estivesse sendo percorrido por uma corrente de alta voltagem. Eu estava possesso. A raiva que me dominava naquele momento não era aquela irritação passageira de laboratório ou o estresse cotidiano de um plantão hospitalar; era uma fúria visceral, cega, destrutiva. Saber que alguém — e agora, com a clareza cortante das evidências, eu sabia exatamente quem — estava se escondendo nas sombras para envenenar a mente da mulher que eu amava, para tentar destruir a paz e a autoestima de Bia com aquela torrente diária de crueldade calculada, fazia o meu estômago queimar em brasa viva.No entanto, por mais que o meu impulso primitivo fosse o de quebrar tudo ao meu alcance, de arrancar o celular do bolso e descarregar o meu ódio contra qualquer tela, Bia terminava o seu trabalho de maneira exemplar. No centro daquele salão repleto de luzes, taças de cristal e conversas po
Última actualización : 2026-09-10 Leer más