Bia Bernoulli Ela nega com tristeza, um movimento lento e pesado de cabeça que pareceu drenar o restinho da energia vibrante que o vestido vermelho tentava projetar. Um sorriso amargo, carregado de autodepreciação, curvou os cantos da sua boca antes que ela finalmente me encarasse de volta.— Não. Ele não vem, Bia. E, honestamente, a culpa é minha por ter passado a tarde inteira olhando para o celular, esperando uma mensagem que eu sabia que nunca iria chegar — a voz dela soou embargada, contida, como quem faz um esforço colossal para não desabar no choro e estragar horas de trabalho do maquiador.Ela caminhou até a poltrona de veludo no canto do quarto e se deixou cair nela com uma graciosidade cansada. Aproximei, puxando um puff acolchoado para me sentar de frente para ela, segurando as suas mãos frias entre as minhas, que sempre pareciam fervilhar com o calor extra da gravidez.— Tenho dedo podre para amor, Bia — Isabella desabafou, as palavras saindo em uma enxurrada de mágoa con
Última atualização : 2026-09-19 Ler mais