Capítulo 72 Sofia Farias A dor veio antes da consciência. Minha cabeça latejava como se tivesse sido partida ao meio. A garganta estava seca, a língua pesada, e um cheiro forte de mofo e umidade subia pelo nariz. Eu forcei os olhos a abrirem. A luz era fraca, amarelada, vinda de uma lâmpada suja no teto. O chão era de concreto frio. Demorei longos segundos para entender onde eu estava. Ao meu lado, Naty estava sentada contra a parede, os olhos já abertos, a respiração curta e irregular. As mãos dela estavam amarradas à frente do corpo com uma corda grossa. Eu tentei mexer os braços e senti a mesma pressão nos meus pulsos. Estávamos as duas amarradas. Do outro lado do cômodo pequeno e sujo, dois homens desconhecidos estavam de pé. Rostos duros, braços cruzados, olhando para nós sem nenhuma expressão. O estômago revirou. — Naty… — minha voz saiu rouca, quase um sussurro. — Estou aqui — ela respondeu baixo, tentando parecer calma. Mas o tremor na voz dela me entregou tu
Última actualización : 2026-08-03 Leer más