Capítulo 3 Pietro Farias A dor foi a primeira coisa que voltou. Uma latejada forte na testa, outra nos braços, e um peso estranho no peito, como se alguém tivesse colocado uma pedra em cima de mim. Tentei abrir os olhos. A luz branca do hospital me acertou em cheio e eu fechei de novo, gemendo baixo. — Ele está acordando… — uma voz feminina, macia, quase sussurrada. — Vou chamar o médico — respondeu outra, um pouco mais firme. Duas vozes. Parecidas, mas não iguais. Eu forcei as pálpebras outra vez. A visão veio embaçada no começo. Duas figuras de branco ao lado da cama. Cabelos escuros presos, rostos jovens, idênticos. Uma delas segurava meu pulso com dedos quentes e cuidados. A outra ajustava o soro com movimentos precisos. — Senhor Farias? Pode me ouvir? — perguntou a de voz mais doce, inclinando-se um pouco. Eu engoli em seco. A garganta estava seca demais. — Onde… estou? — No hospital. Você sofreu um acidente ontem à noite — explicou a outra, a de voz mais firme. — Bat
Última actualización : 2026-08-05 Leer más