— Zara, você precisa sair dessa cama.Tinham se passado quinze dias desde o velório, e como Arthur bem fazia questão de lembrar, eu mal saía da cama. Mal comia — nos primeiros dias, ele literalmente teve que me enfiar sopa na boca, colherada por colherada, com aquela paciência de médico que eu nem merecia naquele momento. Mas a verdade era que eu não tinha ânimo para nada. Nenhum.Por sorte estava de férias na faculdade. O programa no hospital, eu nem estava me importando. Por que me importaria? Mal estava me importando em tomar banho.Arthur caminhou até a janela e puxou a cortina com um movimento deliberado, deixando o sol entrar com aquela crueldade de luz de tarde que não pede licença.— Fecha isso! — reclamei, colocando o travesseiro sobre a cabeça.Ele veio até a cama, se sentou ao meu lado e começou a fazer carinho no meu cabelo com uma paciência que eu ainda não tinha aprendido a merecer. Deixou um beijinho na minha testa antes de falar.
Última actualización : 2026-06-28 Leer más