POV CecíliaO eco do beijo ainda parecia reverberar nas paredes de vidro e mármore daquela cobertura recém-conquistada, mas o abismo invisível que havia se instalado entre nós desde o trágico episódio no hospital continuava ali, pairando como um fantasma mudo.Nos últimos dois meses, a sobrevivência física e o luto haviam anestesiado tudo. Nosso casamento, embora ancorado em uma devoção feroz e inegociável, tornara-se uma fortaleza de silêncio e cuidado clínico. Alexander me cercava de proteção, antecipava cada necessidade, segurava minha mão nas noites de insônia e me carregava pelo mundo de terno e gravata, mas os toques haviam se tornado cautelosos. Ele me tratava como uma porcelana trincada, temeroso de que qualquer movimento mais brusco pudesse estilhaçar o que restava da minha sanidade. E eu, consumida pela culpa do meu próprio corpo vazio e pela exaustão da dor, permitira que a distância se alastrasse. As noites na Mansão Vilar eram passadas na mesma cama, sob o mesmo edredom,
Última atualização : 2026-07-31 Ler mais