As palavras de Lucas continuavam suspensas no ar, pesadas como uma sentença de morte. O som risonho da festa nos jardins, o brilho da iluminação dos cordões de luz e a música ao fundo pareciam ter sido soterrados por um zumbido agudo e insuportável no fundo dos meus ouvidos.— O quê...? — a palavra escapou dos meus lábios num sopro falho. Risquei o ar com a mão, rindo sem humor, um riso histérico e desmesurado que escondeu o pavor imediato no meu peito. — Ir embora da cidade? Do que você está falando, Lucas? Ficou doido?! Você acabou de receber o laudo da sua cura! Você está livre, meu amor! A gente finalmente pode viver em paz...Tentei puxar as mãos dele para perto, mas os dedos do meu irmão permaneceram rígidos, frios, resistindo ao meu toque. O olhar de Lucas não trazia a timidez de um menino convalescente. Trazia uma fratura profunda, uma dor amarga e madura que fez o meu estômago despencar.— Eu não posso continuar aqui, Isa — ele disse, a voz baixa, rasgada, sem vacilar. — Eu n
Última actualización : 2026-08-10 Leer más