Quando era pequena, eu odiava minha irmã, porque, embora fôssemos gêmeas, eu sempre vivi à sombra dela.Todas as manhãs havia apenas uma xícara de chá de flor-da-lua na casa, e ela sempre ficava do lado de Elena.As paredes da sala estavam cobertas de fotos dela: recém-nascida, primeiro aniversário, as tranças prateadas, a primeira vez que suas asas apareceram. Uma parede inteira, do chão ao teto. Não havia uma única foto minha.O pior eram as noites. Todas as noites, antes de dormir, mamãe se sentava ao lado da cama de Elena e lhe ensinava a trançar amuletos rúnicos. Fio de prata, fio de ouro, contas feitas de pedras preciosas trituradas, um amuleto após o outro, até que o parapeito da janela de Elena ficasse cheio deles em todas as cores, mais alegre do que a vitrine de uma joalheria.Eu costumava ficar agachada na porta observando. Via mamãe segurando as mãos de Elena, guiando-a pelos laços e nós.— Dê mais uma volta neste, isso, exatamente assim.Elena levantava um pequeno am
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