O relógio analógico na parede da sala de espera privativa da UTI pediátrica, parecia arrastar seus ponteiros de metal com uma lentidão sádica.Cada segundo era um golpe surdo que ecoava no peito de Helena.Léo já estava no centro cirúrgico há mais de três horas, um período que para ela, parecia esticar-se por séculos.A esterilidade do ambiente, o cheiro de antisséptico e o zumbido quase imperceptível do ar-condicionado central, apenas amplificavam a angústia que a consumia.Sentada no sofá de couro grafite, Helena abraçava os próprios joelhos, tentando conter o tremor involuntário que sacudia seus ombros.Ela fixava o olhar no vazio, as memórias dos últimos sete anos de exílio passando diante de seus olhos como um filme em preto e branco.Todo o sacrifício, as noites febris no exílio, em Munique, em que ela chorava em silêncio para não acordar o filho, o peso esmagador de acreditar que foi descartada pelo único homem que amou...tudo aquilo parecia desaguar naquele momento de vida ou
Última atualização : 2026-08-07 Ler mais