O amanhecer chegou lentamente à Fazenda Santa Aurora, envolvendo os campos em uma névoa delicada que parecia repousar sobre a terra como um cobertor de algodão. Aos poucos, os primeiros raios de sol romperam o branco suave que cobria os cafezais, iluminando o orvalho espalhado sobre as folhas e fazendo cada gota refletir a luz dourada da manhã. O cheiro característico da terra úmida misturava-se ao aroma do café recém-passado e da lenha queimando no fogão da cozinha principal, enquanto os primeiros sons da fazenda começavam a ocupar o silêncio da madrugada. O mugido distante do gado, o relinchar dos cavalos nos estábulos, o canto dos sabiás escondidos entre as mangueiras e o ranger dos portões sendo abertos pelos peões anunciavam mais um dia de trabalho, exatamente como acontecia havia décadas. A Santa Aurora despertava obedecendo ao mesmo ritmo de sempre, indiferente aos conflitos que transformavam silenciosamente a vida de quem habitava aquela casa.Para Raul, entretanto, o temp
Última atualização : 2026-08-26 Ler mais