A tarde desceu lentamente sobre a Fazenda Santa Aurora, espalhando uma luz dourada que parecia envolver cada pedaço da propriedade em um brilho quente e tranquilo. O vento soprava preguiçoso entre os cafezais, fazendo as folhas balançarem em ondas suaves que percorriam os morros como se a própria terra respirasse. Do curral chegavam o mugido compassado do gado e o som metálico das correntes sendo soltas pelos peões, enquanto, próximo às baias, alguns cavalos esfregavam os focinhos nas divisórias de madeira, impacientes pela ração da tarde. Era uma paisagem que transmitia paz a qualquer visitante. Mas, para quem conhecia aquela família, bastava observar os rostos dos moradores da casa grande para perceber que havia uma tempestade silenciosa prestes a romper.Mariana caminhava devagar pelo corredor que ligava a cozinha aos fundos da casa, levando uma pequena pilha de toalhas limpas para o quarto onde improvisou seu consultório de fisioterapia. Seus passos eram lentos, quase automát
Última atualização : 2026-08-30 Ler mais