Eu sabia o que o espelho fazia com ela.Desde a primeira noite, quando Aggy pendurou a moldura antiga na parede ao lado da cama, eu senti a energia dela fluir para mim como um rio invisível. Não era algo que eu controlasse. Era o espelho, a maldição, o vínculo que nos unia. O objeto antigo se alimentava da vitalidade do portador, drenando lentamente, como uma sede que nunca se saciava. E eu, preso ali, era o receptor involuntário daquela energia.Por isso Aggy acordava exausta. Por isso as olheiras se aprofundavam e o cansaço pesava em seus ombros como uma capa invisível. Eu odiava aquilo. Odiava ver o brilho dos olhos dela diminuir, a vivacidade se apagando aos poucos. Mas não podia fazer nada. Não enquanto estivesse preso.Naquela noite, quando ela adormeceu depois do banho, eu fiquei sentado na borda da cama, observando. O rosto dela estava relaxado, os cabelos escuros espalhados no travesseiro, a respiração lenta. Pela primeira vez em dias, ela dormia profundamente, e eu me permi
Última actualización : 2026-08-24 Leer más