INICIAR SESIÓNEsta história contém temas sensíveis que podem ser desconfortáveis ou perturbadores para alguns leitores. A leitura é recomenda para maiores de 18 anos. Em seu primeiro ano na faculdade marcado pela solidão e pelo desespero por pertencimento, Lara, uma jovem gótica com herança bruxa, recorre a um antigo feitiço de sangue para ser desejada por Dorian, seu professor de literatura. O que começa como um ritual para conquistar sua atenção rapidamente se transforma em uma espiral de obsessão doentia que consome ambos. Dorian, um homem casado e respeitado, vê sua vida desmoronar quando o feitiço corrompe sua mente, transformando-o em uma versão sombria de si mesmo. Possessivo, violento e irreconhecível. Ele abandona tudo por Lara: seu casamento, sua carreira, sua moralidade. Mas quanto mais ele se entrega à obsessão, mais a linha entre o feitiço e a realidade se desfaz. O que se segue é uma dança perigosa de poder e submissão, onde Lara descobre que alguns feitiços não podem ser controlados. Presa em uma teia de sua própria criação, ela testemunha o professor que idolatrava transformar-se em um carcereiro obsessivo, sequestrando-a em uma casa abandonada onde o amor se confunde com tortura, e o desejo com destruição.
Ver másNaquela manhã, quando Aggy se levantou, eu já estava dentro do vidro. Não apareci no reflexo do banheiro, não sussurrei provocações em sua mente, não a acompanhei até a porta. Ela parou no meio do quarto, a mochila pendurada em um ombro, e olhou para o espelho com uma expressão que eu não soube decifrar.— Dalthor? — Ela me chamou, a voz baixa.— Estou aqui. — Respondi, e minha voz soou dentro da mente dela, distante, como se viesse do fundo de um poço.— Você não vai sair?— Não.Ela franziu a testa, os olhos verdes me procurando através do vidro. Eu estava lá, mas não me mostrei por inteiro. Apenas uma sombra, uma presença difusa na superfície prateada.— Por quê? — Ela perguntou, e havia algo na voz dela que parecia quase decepção.— Porque se eu sair, o espelho vai sugar você até definhar. — Respondi, sem rodeios. — Eu preciso ficar aqui dentro. Pelo menos por um tempo.Aggy ficou em silêncio por um momento, processando. Seus dedos se ajustaram na alça da mochila, e ela mordeu o l
Passei o dia inteiro tentando evitar Dalthor. Não que fosse difícil — ele simplesmente não apareceu. Em nenhum espelho, em nenhuma janela, em nenhuma superfície reflexiva. Nada. O silêncio dele deveria ter me trazido alívio, e por um momento, trouxe. Eu conseguia respirar sem aquela presença constante, sem aqueles olhos âmbar me seguindo por toda parte, sem os comentários que me tiravam do sério. Conseguia me concentrar nas aulas, nos professores, no maldito trabalho em grupo. Mas a minha mente não parava. O beijo do sonho voltava em ondas, como flashes que se repetiam nos momentos mais inoportunos. Eu estava na aula de história da arte, tentando anotar algo sobre o Renascimento, e de repente sentia o gosto dele. A pressão dos lábios, o calor do corpo, a textura dos cabelos entre meus dedos. Fechava os olhos por um instante e via as presas se alongando, o sorriso provocador, a voz rouca dizendo "sou algo pior". E eu não tinha sentido medo. Era isso que me assustava. Não ele, não o
Eu sabia o que o espelho fazia com ela.Desde a primeira noite, quando Aggy pendurou a moldura antiga na parede ao lado da cama, eu senti a energia dela fluir para mim como um rio invisível. Não era algo que eu controlasse. Era o espelho, a maldição, o vínculo que nos unia. O objeto antigo se alimentava da vitalidade do portador, drenando lentamente, como uma sede que nunca se saciava. E eu, preso ali, era o receptor involuntário daquela energia.Por isso Aggy acordava exausta. Por isso as olheiras se aprofundavam e o cansaço pesava em seus ombros como uma capa invisível. Eu odiava aquilo. Odiava ver o brilho dos olhos dela diminuir, a vivacidade se apagando aos poucos. Mas não podia fazer nada. Não enquanto estivesse preso.Naquela noite, quando ela adormeceu depois do banho, eu fiquei sentado na borda da cama, observando. O rosto dela estava relaxado, os cabelos escuros espalhados no travesseiro, a respiração lenta. Pela primeira vez em dias, ela dormia profundamente, e eu me permi
— Você está quieto de repente. — Aggy murmurou quando a aula terminou e os estudantes começaram a sair. Ela estava guardando o caderno na mochila, os movimentos calmos, como se tivesse todo o tempo do mundo.— Estou pensando. — Respondi, a voz baixa.— Perigoso. — Ela brincou, e o sorriso que se formou em seus lábios fez algo se contrair dentro de mim.— Mais perigoso é você andando com aquele nerd. — Retruquei, levantando-me da mesa.— Ele tem nome, você sabe. — Ela disse, ajeitando a alça da mochila no ombro.— Prefiro o apelido.Ela revirou os olhos, e eu senti uma pontada de satisfação. Aggy saiu da sala andando pelo corredor, os passos firmes, o cabelo escuro balançando. Eu fui atrás, como uma sombra que se recusava a desaparecer.— Você precisa parar de me seguir. — Ela murmurou, sem olhar para trás.— Eu não posso ficar longe de você. — Respondi, e a frase tinha mais verdade do que eu gostaria de admitir.— Isso é cansativo.— Mas você não quer que eu vá embora. — Arrisquei.El






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