Naquela tarde, outro médico da equipe que acompanhava Eduarda entrou no quarto com uma expressão que não anunciava boas notícias.Eu já sabia, antes mesmo de ele falar, que aquelas palavras mudariam tudo.— O inchaço na medula de Eduarda estabilizou.Vi, aos poucos, o peso das palavras se instalar no rosto dela. A partir dali, tudo dependeria da resposta do corpo, da evolução neurológica, das sessões intensivas de fisioterapia, do tempo… e de uma série de variáveis que ninguém conseguia controlar.Ainda assim, não havia garantias.Nenhuma.A possibilidade de ela voltar a andar permanecia em aberto — frágil, incerta, quase cruel na forma como se apresentava.Observei como aquela informação a atingiu, e aquilo me dilacerou mais do que qualquer laudo poderia explicar.Tentei me manter firme como mãe, mas nada parecia suficiente para alcançar o lugar onde a dor dela havia se instalado.— Filha… — minha voz saiu mais baixa do que eu gostaria. — Às vezes, a gente precisa chegar ao fundo do
Última atualização : 2026-08-24 Ler mais