Lucrécia— Então faça o mesmo, Lucrécia. Case-se por amor e não por capricho.Dou uma risada carregada de um deboche tão ácido que sinto o gosto metálico do meu próprio desprezo. Minha mão, que segura o telefone, aperta o aparelho com tamanha força que os nós dos dedos ficam esbranquiçados. Recosto-me no sofá de veludo da suíte, observando o reflexo de um lustre de cristal que, no momento, parece brilhar com a mesma frieza que sinto no peito.— Ai, ai, Genevra... Você aí, vivendo em um mundo de nuvens cor-de-rosa, filosofando sobre o amor? — pergunto, enquanto dou passos lentos pelo recinto, o som seco dos meus saltos no assoalho marcando o ritmo da minha irritação. — Eu nunca perdi um segundo sequer da minha vida pensando em amor, e não vai ser agora, aos pés de um impasse estratégico, que vou começar a desperdiçar neurônios com tamanha tolice. Eu sou uma filha legítima da máfia, forjada nos códigos de silêncio e nas negociações de alto nível. Para mim, o amor é um conceito decorativ
Última atualização : 2026-08-10 Ler mais