Passei a semana seguinte tentando me concentrar no trabalho e nos cuidados com as crianças, mas não podia ignorar a sensação de que algo estava errado na casa de Kaio. Ele, como sempre, nunca aparecia. Era um fantasma, uma presença invisível, sempre presente de alguma forma, mas nunca fisicamente ali. Chegava após meu turno e saía antes de eu chegar.Como se estivesse tentando se esconder ou, talvez, como se a casa fosse uma extensão dele, um lugar em que se sentia seguro, livre de ser visto. Ele nunca tirava folga, nunca aparecia de forma alguma. Eu nem sabia quando descansava.Naquele dia, mais uma vez, levei as crianças para o balé e para o psicólogo. Zoe, com sua expressão fechada, parecia tão distante, tão isolada do mundo ao seu redor. O menino, ainda em seu silêncio profundo, com os olhos vazios, parecia mais uma sombra do que uma criança. Eram como ecos das coisas erradas naquela casa.Enquanto assistia Zoe dançar, a agitação e a perfeição de seus movimentos me impressionaram
Última atualização : 2026-09-24 Ler mais