Arroz, feijão, cheiro verde e alguma carne fritando no óleo. Minha barriga ronca alto, e só de pensar que lá na fazenda a cozinha do alojamento fica quase no fim do mundo, fico ainda mais feliz de estar em casa. Lá, até eu chegar, comer e voltar, a comida já foi digerida duas vezes.Dou dois passos e já vejo minha mãe virando da cozinha com o pano de prato no ombro.— Ué, chegou cedo hoje, meu filho... — ela diz, com aquele sorriso cansado de quem passou o dia todo de pé, mas ainda assim feliz por me ver. — Lavou o pé pelo menos, né? Porque a comida tá quase na mesa.Dou um passo pra trás antes de entrar e bato as botas na parede do lado da porta, fazendo a neve e o barro seco caírem no chão com uns estalos abafados. A friagem da rua ainda tá presa na roupa, mas o calor da casa já começa a me aquecer. Entro e vou direto até minha mãe, dou um beijo leve na cabeça dela, sentindo o cheirinho de tempero e amor misturado nos fios grisalhos. Me endireito e olho em volta, estranhando o silên
Última actualización : 2026-10-25 Leer más