Sérgio Ramos O silêncio do meu escritório era pesado, cortado apenas pelo zumbido discreto do ar-condicionado e pelo reflexo das luzes da cidade de Sevilha na fachada de vidro. Eu estava com os olhos fixos nos relatórios financeiros da construtora, mas a minha mente continuava vagando naquele hospital, na imagem de Mavie segurando a mão minúscula do meu sobrinho neto e, acima de tudo, na proposta que eu tinha feito. A porta se abriu com uma leve lufada de ar e passos suaves. Alicia, minha secretária e a mulher com quem eu mantinha um acordo estritamente casual e sem compromisso há alguns meses, entrou sem pedir licença. Ela caminhou com aquela confiança habitual, aproximando da minha mesa de mogno escuro. Antes que eu pudesse formular qualquer palavra, Alicia contornou o móvel, deu a volta na cadeira e, sem cerimônia, sentou diretamente no meu colo, passando os braços ao redor do meu pescoço. O perfume doce e forte dela invadiu o ambiente, mas, por algum motivo inexplicável,
Última atualização : 2026-10-04 Ler mais