Lembro que quando li 'A Culpa é das Estrelas', aquela cena do banco do parque me fez chorar por dias. A saudade da Hazel pelo Augustus era tão palpável que parecia saltar das páginas. Acho que histórias assim funcionam como um espelho: elas refletem nossa dor, mas também mostram que não estamos sozinhos nisso.
Uma coisa que me ajuda é criar rituais pequenos, como reler uma passagem favorita ou ouvir uma música que lembre o personagem. Não é sobre superar, mas sobre aprender a conviver com a falta. E sabe? Às vezes, a saudade vira uma forma de gratidão por ter vivido aquela história, mesmo que ela tenha acabado.
Já revi 'Your Lie in April' três vezes, e cada vez é um soco no estômago. A relação do Kosei com a Kaori me fez perceber que a saudade pode ser uma celebração. Quando a gente sente falta, é porque aquela pessoa (ou personagem) marcou a gente de verdade. E isso, no fundo, é lindo. Fico bolando teorias ou desenhando cenas alternativas – meio que prolongando a história do meu jeito.
2026-01-22 03:55:59
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Quando Lucas Farias pegou no colo a antiga paixão e saiu dali, junto com a vida que escapava, com o filho que ela perdeu, morreu também o coração de Estela Silveira.
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Depois que seu primeiro amor morreu, Oscar me odiou por dez anos.
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Durante o atentado contra a vida do Imperador, meu marido, o Comandante da Guarda Real, estava ocupado consolando o grande amor de sua juventude, que havia partido em um acesso de fúria.
Em vez de disparar o sinalizador de emergência que eu tinha nas mãos, me coloquei, com o ventre pesado da gravidez, diante do Imperador. Ofereci o meu próprio corpo como um escudo humano para garantir a fuga de Sua Majestade.
Tomei aquela decisão porque, na minha vida passada, o disparo daquele mesmo sinalizador fez com que meu marido a abandonasse para vir em nosso socorro.
Como recompensa por sua bravura no resgate, ele recebeu o cobiçado título de Duque do Império. No entanto, a mulher que ele amava caiu em uma armadilha e perdeu a vida.
Embora ele não tivesse demonstrado nenhuma revolta na época, aguardou até o dia do meu parto para me atirar no poço das feras. Com o rosto contorcido de dor, implorei por uma explicação.
Ele me lançou um olhar gélido antes de proferir as palavras que selaram meu destino:
— O Imperador já estava cercado por guardas, então por que me chamou de volta? Você só pensa em poder e riqueza e me chamou de volta de propósito. Se não tivesse acionado o sinalizador, Gabriela não teria morrido. Você pagará em dobro por tudo o que ela sofreu.
No fim, acabei despedaçada e devorada pelas feras, e até o bebê que eu carregava no ventre teve o mesmo destino trágico.
Agora, ao abrir os olhos mais uma vez, percebo que retornei ao exato dia do atentado contra o Imperador.
Explorar a saudade através da literatura é como folhear um álbum de memórias escrito por várias mãos. Um livro que sempre me toca é 'A Insustentável Leveza do Ser', de Milan Kundera. A forma como ele aborda a ausência e o peso das escolhas humanas é profundamente comovente. Kundera não apenas fala sobre perda, mas sobre como carregamos os que se foram em cada decisão, como sombras que moldam nossa luz. A narrativa oscila entre o filosófico e o pessoal, criando uma conexão íntima com quem já sentiu o vazio deixado por alguém.
Outra obra que considero essencial é 'Cem Anos de Solidão', de Gabriel García Márquez. A magia do realismo mágico aqui não está apenas nos eventos fantásticos, mas em como a saudade permeia gerações da família Buendía. A maneira como os personagens lidam com a morte—às vezes com indiferença, outras com devoção quase religiosa—mostra que a ausência é um espectro multicolorido. Recomendo especialmente os capítulos sobre Úrsula Iguarán, cuja presença póstuma é tão vívida quanto sua vida. Ler isso me fez entender que saudade não é apenas tristeza, mas uma forma de continuar conversando com quem partiu.
Lembro de fechar o último capítulo de 'Norwegian Wood' e ficar sentado no sofá, olhando para a parede como se o mundo tivesse desacelerado. Aquele vazio que fica quando uma história boa termina é inexplicável—como se partes de você tivessem se mudado para dentro das páginas e agora recusassem a volta. Não é só nostalgia, é quase um luto pelos personagens que viraram amigos íntimos e pelos lugares que existiram só na sua cabeça.
E o mais engraçado? A saudade muitas vezes dói mais do que a história em si. Aquele romance de 'O Tempo e o Vento' me fez chorar não durante a leitura, mas semanas depois, quando me peguei pensando na Ana Terra enquanto lavava a louça. Essas histórias se infiltram no cotidiano e transformam momentos banais em pequenos rituais de saudade.
Lembro de uma fase onde eu me via como um personagem secundário na própria vida, aquela figura que só aparece para dar um objeto ao protagonista e some. Até que 'The Office' me mostrou que até os 'estraga-prazeres' têm seu charme. Michael Scott é um desastre ambulante, mas é exatamente essa autenticidade que o torna querido. Comecei a abraçar minhas falhas como traços únicos, não como defeitos. A série 'BoJack Horseman' também me ensinou que até os personagens mais problemáticos podem ter arcos emocionantes.
O que mudou minha perspectiva foi perceber que histórias inspiradoras não são só sobre heróis impecáveis. São sobre gente como a gente, que erra, tropeça e ainda assim segue em frente. Quando me pego me comparando com narrativas idealizadas, lembro que até os Jedi têm dias ruins.
Lembro de quando assisti 'Marley & Eu' e fiquei arrasado por dias. Aquele filme me pegou desprevenido, sabe? O que me ajudou foi buscar algo totalmente oposto no tom, como comédias bobas ou até mesmo vídeos de gatos no YouTube. Parece bobo, mas dá uma aliviada na pressão emocional.
Outra coisa que faço é escrever sobre o que senti, como se fosse uma carta para mim mesmo ou para um amigo imaginário. Despejar tudo no papel ajuda a organizar os pensamentos e entender por que aquela história me afetou tanto. No fim, aceitar que filmes tristes existem justamente para mexer com a gente é parte do processo.
Há algo em livros que exploram a profundidade da experiência humana que me faz perder horas mergulhado nas páginas. 'Os Miseráveis' de Victor Hugo é um daqueles livros que te esmagam e depois te reconstroem. A jornada de Jean Valjean é dolorosamente bela, e cada personagem secundário tem seu próprio arco emocional complexo.
Outra obra que me marcou foi 'A Lista de Schindler', baseado na história real de Oskar Schindler. Não é só sobre o Holocausto, mas sobre como a compaixão pode surgir nos lugares mais inesperados. A narrativa te arrasta para dentro daquele mundo, fazendo você sentir cada momento de esperança e desespero.