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Lara ignorou Estela de propósito, conversando animadamente com Jéssica.Achava que Estela, como sempre, traria um presente para ela.Já estava até pronta para jogar o presente de lado, só para mostrar à Jéssica o quanto desprezava Estela.Mas se passaram alguns minutos, e Estela não se aproximou.Curiosa, Lara olhou de relance e viu que, depois de dois minutos, Estela apenas se sentou tranquilamente no sofá ao lado, como se nada tivesse acontecido.Percebeu também que ela segurava apenas uma sacola de presente, pequena demais para ter algo para si.Lara franziu o cenho.Será que o presente era tão pequeno que ela guardara no bolso?Mas o vestido de Estela nem tinha bolsos.Não se contendo, perguntou:— Estela, e o meu presente?Estela ficou surpresa com a pergunta repentina.— Eu não trouxe.— Não trouxe? — A irritação de Lara subiu de vez.Percebendo o tom dela, Estela completou:— Você sempre diz que não gosta dos presentes que eu compro. Achei que, mesmo se eu te desse algo, acabari
Estela já estava acostumada.Lara e Lucas sempre tiveram uma boa relação de irmãos, e por Lucas odiá-la, Lara também vivia sendo irônica com ela.Lara adorava dizer que ela não era digna dele, que era a terceira entre Lucas e Jéssica.No começo, Estela se importava.Queria agradar Lara, tentava descobrir o que ela gostava, comprava presentes, buscava no exterior produtos e autógrafos de artistas que ela admirava.Lara aceitava, mas nunca demonstrava gratidão, apenas soltava um riso frio e dizia:— Não pense que eu não sei o que você quer.— E nem ache que pode me comprar assim. Por mais que tente me agradar, você continua sendo a terceira entre meu irmão e a Jéssica. Eu nunca vou te apoiar.Isso deixava Estela triste.Mas, com o tempo, ela acabou se conformando.Agora, ouvindo novamente esse tipo de comentário, já não sentia nada.Entrou na sala com naturalidade, cumprimentando todos com a mesma elegância de sempre.Assim que a viu, Lara fechou a cara e revirou os olhos.— Que chato.D
Depois de se arrumar, Estela ainda tinha muito tempo livre.De repente, sem nada para fazer, deixou-se ficar ali, distraída, olhando para o teto antes de se deitar na cama.Talvez por tudo o que havia acontecido nos últimos dias, bastou fechar os olhos para adormecer.Quando acordou de novo, já era hora do almoço do dia seguinte.Levantou-se meio zonza e, assim que colocou o pé no chão, sentiu uma pontada aguda.Só então percebeu que o dedinho, que havia batido na noite anterior, agora estava inchado e avermelhado.Mas, como tinha combinado de ir à casa dos Farias mais tarde, não dava mais tempo de passar no hospital.Passou uma pomada rapidamente e saiu.Lucas nunca gostara de voltar à mansão com ela, e agora que estavam se divorciando, muito menos motivo havia para esperá-lo.Pegou o presente que já havia separado para a avó e seguiu para a oficina retirar o carro que sua mãe lhe dera, o mesmo que havia sofrido um acidente, mas agora estava consertado. Em seguida, dirigiu direto para
Estela pensou por um momento.Ela e Lucas já estavam divorciados, mas o processo ainda não tinha sido concluído. Em teoria, ela ainda era nora da família Farias.O pedido de Lucas não parecia exagerado.Além disso, a avó dele sempre a tratara bem, ela de fato devia fazer uma visita.Estela não recusou:— Tá bom, eu vou.Lucas ouviu a voz dócil dela e baixou os olhos para os papéis sobre a mesa.Nos documentos que Gonçalo havia entregue, constava que Estela estava morando em um dos bairros mais simples da cidade, o prédio era velho, o ambiente precário.Ao ver aquilo, ele riu de raiva.Todos os meses, mandava o assistente transferir quase trinta mil para as despesas pessoais dela, e ainda assim ela se metia num lugar desses.Seria de propósito?Queria piedade? Ou queria que comentassem por aí que a esposa de Lucas estava vivendo num cortiço?De qualquer forma, ele achava tudo ridículo.Ainda assim, decidiu dar-lhe uma chance de se explicar.— Tem mais alguma coisa pra me dizer?Mais alg
Com medo de que Gonçalo recusasse, a secretária juntou as mãos e murmurou em voz baixa:— Por favor, por favor…Gonçalo suspirou e assentiu.— Tudo bem, eu levo. Pode voltar ao seu setor.A secretária, aliviada como quem escapa de uma sentença, agradeceu várias vezes e saiu apressada, o som dos saltos ecoando pelo corredor enquanto corria antes que ele mudasse de ideia.Gonçalo balançou a cabeça, sem saber se ria ou suspirava.Quando voltou à porta do escritório, levantou a mão para bater, mas lembrou-se das palavras de Lucas mais cedo.Ele havia dito que tudo relacionado à família Silveira ficaria sob decisão dele.Pensou por um momento e desistiu de entrar. Melhor não provocar o chefe de novo.Baixou a mão e se afastou.…Na casa dos Silveira.— Sério? A família Farias confirmou o investimento?Simão, sentado no sofá, pulou de alegria assim que recebeu a notícia de que o projeto havia sido aprovado.— Excelente! Muito obrigado! Agradeça também ao Sr. Lucas. Garanto que, desta vez, o
Ao ouvir aquilo, Gonçalo achou que finalmente entendia por que o Sr. Farias estava de mau humor.Pelo visto, ele e a Sra. Estela tinham brigado outra vez.Mas já estava acostumado.Desde o casamento, Lucas nunca engoliu bem aquela união e raramente tratava Estela com gentileza.Mesmo assim, por pior que fosse a atitude dele, ela nunca perdia o controle, sempre engolia o próprio sentimento em silêncio.Por isso, por mais que discutissem, no dia seguinte voltavam a se comportar como antes.O casamento deles parecia ter atingido um equilíbrio estranho.Ao contrário do que diziam lá fora, Gonçalo até achava que os dois durariam.Afinal, conhecia o temperamento do chefe, se Lucas realmente não quisesse aquele casamento, ele já teria acabado há muito tempo.— Como está o negócio da nova casa da Jéssica?Enquanto pensava, Gonçalo ouviu a voz de Lucas e respondeu apressado:— Já encontramos um imóvel conforme o pedido da Srta. Jéssica, a compra foi concluída e o registro está no nome dela.Luc







