Lembro de pegar 'O Primo Basílio' pela primeira vez na biblioteca da escola, sem muita expectativa, e sair completamente absorvido pela trama. A história gira em torno de Luísa, uma mulher casada com Jorge, um engenheiro dedicado mas ausente. Quando Basílio, seu primo e antigo amor, retorna de Paris, a vida pacata de Luísa vira de cabeça para baixo. O romance proibido entre os dois é o motor da narrativa, mas Eça de Queirós vai além, pintando um retrato afiado da sociedade lisboeta do século XIX, com suas hipocrisias e moralidades duvidosas. Juliana, a empregada da casa, rouba a cena como antagonista, chantagista e símbolo da corrupção que permeia todas as classes.
A genialidade do livro está nos detalhes: desde a crítica à burguesia até a ironia com que trata os personagens secundários, como o Conselheiro Acácio, cheio de poses intelectuais vazias. É uma obra que mistura tragédia pessoal com sátira social, e mesmo depois de tantos anos, consegue provocar reflexões sobre relacionamentos e poder.
Eça de Queirós, um dos maiores nomes da literatura portuguesa, é o autor de 'O Primo Basílio'. Lançado em 1878, esse romance é uma crítica afiada à sociedade burguesa de Lisboa na época, cheia de hipocrisia e moralismos. A história gira em torno de Luísa, uma mulher entediada com seu casamento, que se envolve com o primo Basílio, um libertino. Eça de Queirós tem um talento incrível para criar personagens complexos e tramas que misturam ironia e tragédia.
Ler 'O Primo Basílio' me fez refletir sobre como certos comportamentos sociais ainda são atuais, mesmo depois de mais de um século. A escrita do Eça é tão envolvente que você quase consegue sentir o clima abafado da Lisboa do século XIX. Se você gosta de clássicos que misturam drama e crítica social, vale muito a pena mergulhar nesse livro.