Lembro de pegar 'O Primo Basílio' pela primeira vez na biblioteca da escola, sem muita expectativa, e sair completamente absorvido pela trama. A história gira em torno de Luísa, uma mulher casada com Jorge, um engenheiro dedicado mas ausente. Quando Basílio, seu primo e antigo amor, retorna de Paris, a vida pacata de Luísa vira de cabeça para baixo. O romance proibido entre os dois é o motor da narrativa, mas Eça de Queirós vai além, pintando um retrato afiado da sociedade
lisboeta do século XIX, com suas hipocrisias e moralidades duvidosas. Juliana, a empregada da casa, rouba a cena como antagonista, chantagista e símbolo da corrupção que permeia todas as classes.
A genialidade do livro está nos detalhes: desde a crítica à burguesia até a ironia com que trata os personagens secundários, como o Conselheiro Acácio, cheio de poses intelectuais vazias. É uma obra que mistura tragédia pessoal com sátira social, e mesmo depois de tantos anos, consegue provocar reflexões sobre relacionamentos e poder.