Eternity
Ronan finalmente percebeu que eu já não contava mais nada a ele.
Quando comprei um vestido novo para o Baile de Gala da Lua Cheia, não mandei fotos nem perguntei de qual ele gostava mais. Quando a alcateia Serra Prateada realizou seu Baile de Inverno anual, compareci sozinha, como Luna. E, quando os médicos disseram que os fragmentos de prata alojados sob minha escápula precisavam ser retirados, marquei a cirurgia por conta própria.
Não liguei, não mandei mensagem e nem sequer recorri ao nosso vínculo de companheiros.
Quando Ronan soube da cirurgia pelo meu médico, sua expressão endureceu.
— Por que você não me contou? Me dê os exames de imagem. Vou mandar reorganizarem tudo no centro médico.
— Não precisa. Eu dou conta sozinha, e você já anda ocupado demais.
O silêncio se instalou entre nós.
Duas semanas antes, eu ainda mandava fotos de brincos para perguntar qual par deveria usar em um jantar do conselho. Na hora do almoço, mandava mensagem para saber se ele já tinha comido e, à noite, ficava acordada até a luz dos faróis do carro dele passar pelas nossas janelas.
Até os menores detalhes da minha vida giravam em torno do meu marido, meu companheiro, meu Alfa.
Agora, porém, mesmo quando o ferimento causado pela prata me fazia tremer de dor, eu não dizia uma palavra, enquanto ele ouvia pacientemente o choro da minha irmã postiça.
Também não contei que estava grávida.
Em breve, ele descobriria mais uma coisa por conta própria: eu já não estava no território dele e nunca mais voltaria.