alone
Carlo Guardia, o homem que eu mais amava neste mundo, passou dez anos me odiando por causa de seu único e verdadeiro amor, Margherita Carrettiere.
Nós nos desentendemos até os meus últimos dias de vida, quando ele deixou de lado todos os assuntos da Família e permaneceu junto ao meu leito de morte, me dando pacientemente na boca as minhas uvas favoritas.
— Giovannina, se eu tivesse outra chance, queria nunca ter te conhecido. — Confessou ele, com sangue nos olhos.
Três dias depois do meu enterro, Carlo levou uma arma à própria têmpora e, diante de toda a Família, tirou a própria vida junto ao meu túmulo.
Quando abri os olhos outra vez, a primeira coisa que ouvi foi uma discussão acalorada ecoando pela sala do conselho da minha família. Uma família rival conseguiu todas as provas da nossa rede financeira clandestina, e suas exigências eram claras: se quiséssemos pôr fim à guerra, precisávamos entregar um dos nossos herdeiros para responder ao julgamento.
Na minha vida passada, meu pai, Guglielmo Carrettiere, não suportou a ideia de me sacrificar. Por isso, enviou em meu lugar minha irmã mais nova, Margherita, que sofria de um problema cardíaco. No fim, ela morreu de forma trágica.
Como consequência, Carlo passou o resto da vida alimentando rancor contra mim.
Levantei e tomei a palavra sob os olhares atônitos dos Conselheiros da Família.
— Pai, por favor, me entregue a eles. Quanto à aliança matrimonial com a Família Guardia... deixe Margherita ocupar o meu lugar.
Agora que a vida havia me dado uma segunda chance, escolhi abrir mão de Carlo e realizar o desejo dele de ficar com Margherita.