Bagel
Todas as cerimônias para selar meu vínculo com o Alfa Alexander acabavam se transformando em um pesadelo.
Na primeira, envenenaram meu vinho cerimonial com acônito. Tive convulsões e tossi sangue diante de toda a alcateia Lua Crescente.
Na segunda, uma lâmina de prata escondida atravessou meu abdômen de um lado ao outro. Desabei sobre o altar e passei três semanas em coma.
Na terceira, alguém me empurrou do alto da torre. Depois da queda, minha loba interior nunca mais despertou.
Por trás de todos esses acidentes estava Ruby, a irmã adotiva de Alexander.
Sempre que eu o confrontava aos prantos, Alexander me puxava para os braços e enxugava minhas lágrimas.
— Evie, minha querida. Ruby perdeu a razão por causa de um veneno raro quando salvou minha vida. Agora, a mente dela é como a de uma filhote. Por favor, faça isso por mim. Trate ela como uma criança e esqueça isso. — Sussurrava ele com ternura.
Desta vez, durante nossa quarta cerimônia, Ruby atraiu um lobo renegado para o território. A explosão fez o salão inteiro ser engolido pelas chamas.
Eu me joguei sobre Alexander, o derrubando no chão e o protegi das chamas impregnadas de prata. Meu corpo inteiro acabou queimado e mutilado.
No entanto, quando recobrei a consciência, o ouvi dando ordens ao curandeiro da alcateia do lado de fora do quarto.
— Aumente a dose dos supressores. Use as ervas mais baratas e não permita que os ferimentos cicatrizem rápido demais.
O curandeiro paralisou por um instante.
— Mas ela ficou gravemente ferida ao salvá-lo, Alfa.
A voz de Alexander soou incrivelmente fria, quase irreconhecível.
— A dor dela não chega nem perto do que Ruby enfrentou.
Ele fez uma breve pausa antes de continuar:
— Fui eu quem ensinou todos esses truques a Ruby. A explosão não foi exceção. Ela aprende rápido.
Por fim, descobri a verdade: o Alfa que eu mais amava estava por trás de todo o sofrimento que suportei ao longo dos anos.
Jurei à Deusa da Lua que jamais permitiria que ele voltasse a ver meu rosto.