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Quando a Noiva Deixou de Esperar

Quando a Noiva Deixou de Esperar

By:  Anna SmithCompleted
Language: Portuguese
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Meu pai veio da Itália para assistir ao meu primeiro casamento. Ele viu Luca Romano soltar a minha mão apenas dez minutos antes dos votos, porque Celeste ligou dizendo que não conseguia respirar. Naquele dia, Don Moretti não gritou. — Tome o tempo que precisar. Mas, quando finalmente entender que ele nunca vai escolher você no altar, volte para casa. Na época, achei que ele não entendia o que era o amor. Por isso permaneci em Nova York. Dei a Luca sete oportunidades de se casar comigo. Todas as vezes, ele voltava com flores, pedidos de desculpas e uma nova data para o casamento. — Elena — ele sempre dizia. — Desta vez será a última. Até os próprios amigos dele já haviam parado de fingir que não achavam aquilo ridículo. — Ela não vai embora — comentou um deles. — Só quer que ele peça desculpas de um jeito mais convincente. Eu teria permanecido por um amor verdadeiro. Mas jamais permaneceria ao lado de um homem que só se lembrava de mim depois de escolher outra pessoa. Foi então que finalmente compreendi. Luca havia confundido o meu amor com um lugar para onde sempre poderia voltar. Na manhã do nosso oitavo casamento, coloquei meu anel de noivado dentro de uma caixa de veludo branco. Naquele instante, meu pai ligou. — O helicóptero está pronto. Enquanto Luca me esperava no altar, segurando a aliança em uma das mãos... Desta vez... Fui eu quem o deixou esperando.

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Chapter 1

CAPÍTULO 1

Dez minutos antes do nosso sétimo casamento, Luca Romano recebeu outra ligação de Celeste.

A capela da família Romano já estava completamente lotada.

As velas haviam sido acesas, o coral aguardava em posição e representantes de Nova York, Chicago e da Sicília ocupavam seus lugares para assistir ao momento em que eu me tornaria a Donna da família Romano.

Luca estava ao meu lado, usando o terno preto que eu mesma havia escolhido.

Até as abotoaduras traziam nossas iniciais gravadas.

Quando o celular tocou, ele olhou primeiro para mim.

Eu já sabia quem era.

Nos últimos seis casamentos, Celeste sempre encontrava uma emergência poucos minutos antes da cerimônia começar.

Dor no peito.

Uma antiga lesão.

Uma ameaça perto do apartamento onde morava.

Uma reação inesperada aos remédios.

De alguma forma, ela sempre se transformava na pessoa que Luca precisava salvar exatamente no instante em que deveria se casar comigo.

Dessa vez...

Não foi diferente.

Depois que desligou a ligação, seu semblante ficou pesado.

Permaneceu alguns segundos encarando o celular, como alguém que já havia tomado uma decisão, mas ainda não sabia como colocá-la em palavras.

— Celeste desmaiou na casa segura.

Sua voz saiu baixa.

— O médico ainda não chegou. Só existe uma empregada nova com ela... e ela não sabe o que fazer.

Olhei para ele.

Não disse absolutamente nada.

No passado, eu teria perguntado por que precisava ser justamente naquele dia.

Por que sempre precisava ser Celeste.

E por que era sempre eu quem ficava para trás.

Mas daquela vez...

Apenas ajeitei discretamente sua gravata, que estava um pouco torta.

Então respondi com calma:

— Então vá.

Luca ficou imóvel.

Por um instante, parecia decepcionado.

Como se esperasse que eu chorasse.

Que discutisse.

Que implorasse diante de todos, como havia feito nas outras vezes.

Assim ele poderia me abraçar, prometer que voltaria logo e jurar, mais uma vez, que da próxima seria diferente.

Mas eu não fiz nada.

Do lado de fora da capela, o carro já aguardava parado diante da escadaria.

Mesmo assim, Luca não saiu imediatamente.

Segurou minha mão.

Pela primeira vez...

Havia insegurança em sua voz.

— Elena... eu vou explicar tudo quando voltar. O que aconteceu hoje foi um acidente. Foi mesmo.

Assenti em silêncio.

Ele continuou:

— No mês que vem eu organizo outro casamento. Você não vai precisar se preocupar com nada. É só experimentar o vestido novamente.

Por algum motivo...

Quase ri.

Praticamente todos os casamentos anteriores haviam sido organizados por mim.

Os convites.

As flores.

A disposição dos convidados.

A ordem das famílias.

Os votos.

Durante muito tempo acreditei que, se cada detalhe fosse perfeito...

Finalmente conseguiríamos nos casar.

Se nada desse errado...

Luca não teria motivo para ir embora.

Mais tarde...

Entendi a verdade.

Ele nunca ia embora porque havia algo errado com o casamento.

Ele ia embora porque bastava uma ligação de Celeste...

Para que nosso casamento deixasse de ser importante.

Na noite anterior ao nosso segundo casamento, Celeste disse que havia derramado vinho tinto sobre o vestido.

Sem pensar duas vezes, Luca mandou abrir o meu guarda-roupa e entregar a ela o vestido branco de seda que eu havia separado para o jantar de ensaio.

Era uma das poucas lembranças que minha mãe havia deixado.

Na barra do vestido estava bordado o brasão da família Moretti.

Depois...

Ele me abraçou e pediu desculpas.

Disse que Celeste havia chorado tanto que mal conseguia respirar.

Que estava nervoso e não conseguira pensar direito.

No dia do nosso quarto casamento...

A pulseira de diamantes que enfeitava o pulso de Celeste era justamente aquela que meu pai havia me dado quando completei dezoito anos.

Ela disse apenas que tinha achado a joia bonita e queria usá-la emprestada por um tempo.

Luca sequer percebeu.

Só notou quando eu permaneci em silêncio.

Mesmo assim...

Não pediu que ela devolvesse a pulseira.

Em vez disso, aproximou-se de mim e falou baixinho:

— Prometo que ela vai usar só por um momento. Nada vai acontecer com a pulseira. Celeste não tem família, Elena. Ela nunca teve coisas assim. Não leve isso para o coração.

Mas eu levei.

Chorei.

Briguei.

Perdi completamente o controle.

E, ainda assim...

Todas as vezes Luca voltava.

Ajoelhava-se diante de mim.

Beijava minha mão.

Repetia inúmeras vezes que eu era a única mulher que amava.

E eu acreditava.

De novo.

E de novo.

E mais uma vez.

Naquele dia, observei o desespero escondido em seus olhos.

Então sorri de leve.

— Tudo bem.

Ele franziu a testa.

— O que você disse?

Retirei calmamente minha mão da dele.

— Eu disse que está tudo bem.

Respirei fundo.

— No mês que vem... Você organiza o casamento.

Ele ficou me encarando.

Ao contrário do que imaginei...

Não pareceu aliviado.

Seu rosto ficou ainda mais tenso.

— Elena...

Sua voz saiu quase aflita.

— Não faça isso.

Nos últimos seis casamentos, eu havia cuidado de cada detalhe até a exaustão.

Conferia as flores.

Os votos.

A lista de convidados.

A posição de cada família.

Até o tom exato das velas.

Sempre tratei cada cerimônia como a prova definitiva de que, daquela vez...

Ele realmente me escolheria.

Agora...

Eu simplesmente devolvia todo aquele casamento para ele.

Como se nada mais tivesse importância.

E era exatamente isso que o assustava.

Porque a Elena que antes voltava a sorrir apenas ouvindo suas promessas...

Já não olhava mais para ele da mesma maneira.

Alguém do lado de fora o chamou com urgência.

Luca lançou um último olhar para mim.

Como se procurasse alguma rachadura na minha calma.

— Espere por mim.

Não respondi.

Por fim...

Ele virou as costas.

E desceu lentamente os degraus da capela.

Os cochichos começaram quase imediatamente.

Algumas pessoas me olhavam com pena.

Outras...

Esperavam ansiosamente para assistir à filha da família Moretti se tornar motivo de piada pela sétima vez.

Segurei delicadamente a saia do vestido.

E caminhei sozinha até o quarto da noiva.

Quando parei diante do espelho...

Minha maquiagem permanecia intacta.

O vestido continuava impecavelmente branco.

Nem mesmo as pérolas presas ao meu cabelo haviam saído do lugar.

Foi então que me lembrei das palavras que meu pai havia dito antes de voltar para a Itália.

— Tome o tempo que precisar. Mas, quando finalmente entender se ele realmente vai escolher você no altar... volte para casa.

Agora...

Eu começava a entender.

Assim que entrei novamente no quarto da noiva, retirei o véu.

Depois peguei o celular e liguei para meu pai.

A ligação foi atendida quase imediatamente.

Durante alguns segundos...

Nenhum de nós disse uma palavra.

Fui eu quem rompeu o silêncio.

— Papai...

Respirei lentamente.

— Ele marcou outra data.

A voz do meu pai permaneceu tranquila.

Como se já soubesse exatamente qual seria minha resposta.

— Então faça desta... A última.

Olhei meu reflexo mais uma vez.

A maquiagem perfeita.

O vestido que, mais uma vez...

Jamais se transformaria em uma lembrança feliz.

Fechei os olhos.

— Está bem.

Desta vez...

Eu realmente quis dizer isso.

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