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Leticia S. Ferreira
Leticia S. Ferreira
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Romances de Leticia S. Ferreira

Fugi do Alpha Cruel e Acordei na Cama do Caçador

Fugi do Alpha Cruel e Acordei na Cama do Caçador

Fui vendida para um monstro, fugi para a neve e acabei entregando minha alma ao meu pior pesadelo. Amália preferiu arriscar a vida na Floresta Negra a aceitar seu destino como a noiva-sacrifício de Kael, o implacável Alpha conhecido como o Açougueiro do Norte. Quase morrendo de frio, ela é resgatada por um caçador isolado, bruto e superprotetor. Presos por uma nevasca em uma pequena cabana, a hostilidade entre eles se transforma em uma paixão física e avassaladora. Mas a ilusão perfeita é estilhaçada quando o exército invade o refúgio e a máscara cai: o caçador sem nome que roubou seu corpo e seu coração é, na verdade, Sua Alteza Real, o próprio Alpha cruel de quem ela fugia. Ele sabia de tudo. Arrastada de volta para as intrigas do palácio, Amália precisará sobreviver a uma nova noiva venenosa e ao ciúme doentio do homem que quebrou sua confiança. Ela jurou odiá-lo. Mas como escapar de um monstro possessivo, quando ele está disposto a queimar o próprio reino para provar que ela é sua?
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Chapter: EPÍLOGO
O ar gélido da Floresta Negra carregava o cheiro de pinheiro fresco, terra úmida e promessas de um inverno rigoroso. Anos atrás, aquele mesmo vento cortante havia sido o cenário do maior terror da vida de Amália. Havia sido o lugar onde ela se atirara de uma carruagem na escuridão, fugindo de um destino que considerava pior do que a morte.Mas o tempo, a magia e o perdão haviam reescrito a história daquele pedaço do mundo. O que antes era uma prisão de gelo, agora era o quintal sagrado da sua família.Um ganido agudo e eufórico rompeu o silêncio da floresta.Pela neve profunda e intocada, uma pequena bola de pelos cinza-chumbo corria o mais rápido que as suas patas curtas e desajeitadas permitiam. O pequeno lobo tropeçava a cada três saltos, afundando o focinho na neve fofa, espirrando e chacoalhando a cabeça antes de voltar a correr com uma determinação feroz.Logo atrás dele, movendo-se com uma lentidão calculada e uma graça predatória que contrastava absurdamente com o seu tamanho,
Última atualização: 2026-08-29
Chapter: A Luna do Norte
O amanhecer despontou sobre a capital do Norte não com a ferocidade de uma tempestade, mas com a clareza cristalina de um milagre de inverno. O céu, livre de nuvens, exibia um azul pálido e imaculado, e o sol frio fazia a neve recém-caída brilhar como um mar de diamantes esmagados.No pátio principal do castelo, o cenário era de tirar o fôlego. Durante a noite, os artesãos e os lobos de gelo da alcateia haviam trabalhado incansavelmente para transformar a arena de pedras — o mesmo lugar que outrora abrigara o terror de um patíbulo — em um altar de beleza indescritível. Grandes arcos de gelo cristalino foram erguidos, entrelaçados com rosas brancas de inverno e ramos de pinheiro.A alcateia inteira estava reunida. Milhares de lobos, desde os lordes recém-subjugados até os aldeões das fronteiras, preenchiam o pátio em um silêncio reverencial. Não havia sussurros venenosos. Não havia intrigas. Havia apenas uma expectativa densa e uma submissão absoluta que pairava no ar gélido.Dentro do
Última atualização: 2026-08-29
Chapter: O Pacto da Lua de Inverno
A véspera do casamento real havia transformado a capital do Norte em um formigueiro caótico. No castelo, centenas de servos corriam pelos corredores carregando sedas, tapeçarias e baús de ouro. Lordes e emissários de alcateias distantes chegavam a cada hora, ansiosos para testemunhar a união que selaria o destino do império. O mundo lá embaixo estava ensurdecedor.Mas, muito acima das muralhas do palácio, o silêncio era absoluto.Alpha Kael havia roubado a sua noiva no meio da noite. Longe dos olhos da guarda, dos sussurros da corte e das exigências dos Anciãos, ele a levou cavalgando montanha acima.Eles pararam em um platô escondido, no pico mais alto da cordilheira que abraçava a capital. Ali, esculpido na própria rocha ancestral, ficava o Santuário da Primeira Neve — um templo rústico, sem teto, delimitado apenas por grandes pilares de pedra escura que se erguiam em direção ao céu. O cenário era de tirar o fôlego. Não havia tochas, nem lareiras de carvão. O lugar estava iluminado
Última atualização: 2026-08-29
Chapter: O Domínio sobre a Fera
O clima no castelo do Norte havia sofrido uma metamorfose palpável. O terror sufocante que antes rastejava pelos corredores de pedra fria — o medo constante dos rompantes d'O Açougueiro do Norte e das intrigas venenosas da corte — havia sido substituído por uma espécie de fascínio hipnótico. A matilha inteira, dos servos aos lordes recém-perdoados, não conseguia desviar os olhos da nova dinâmica que dominava o palácio.A química entre Alpha Kael e Amália era impossível de ignorar. Era uma força gravitacional, um incêndio silencioso que aquecia as sombras do castelo.Faltavam poucos minutos para o início de uma reunião diplomática crucial com as alcateias do Leste, mas, em um corredor isolado com vista para os jardins congelados, o Príncipe Herdeiro estava longe de pensar em tratados de fronteira.Kael havia puxado Amália para trás de uma pesada tapeçaria, prensando-a suavemente contra a parede de pedra. As mãos imensas do guerreiro seguravam a cintura fina dela, enquanto os lábios del
Última atualização: 2026-08-29
Chapter: A Rainha de Seda e Sangue
O amanhecer no castelo do Norte cheirava a gelo, fumaça de tochas e justiça implacável. O expurgo final havia começado.No grande pátio de pedra, o som que antes aterrorizava Amália — o tinir metálico de correntes pesadas — agora servia a um propósito muito diferente. Lordes, barões e comandantes de patrulha que haviam jurado lealdade à Casa Valerius e à conspiração de Lady Vespera estavam sendo arrastados pelos soldados da guarda de elite.No topo da escadaria principal, Alpha Kael observava o abate político. Ele não vestia mais os trapos rasgados e ensanguentados da noite anterior, mas a sua túnica militar escura e a postura ereta exalavam um domínio que sufocava qualquer tentativa de motim. O Açougueiro do Norte estava limpando a própria casa.— O Lorde Baelor e os seus dois filhos confessaram ter financiado a escolta de mercenários na fronteira, Majestade — o Beta Rolan relatou, parando ao lado de Kael com um pergaminho em mãos. — Eles pedem clemência em nome do Sangue da Lua e ap
Última atualização: 2026-08-29
Chapter: O Esmagar das Víboras
O ar no Grande Salão do Trono estava tão espesso que mal se podia respirar. A tensão entre as colunas de mármore negro era um barril de pólvora prestes a explodir. Dezenas de lordes, matriarcas das Casas Antigas e generais da guarda lupina andavam de um lado para o outro, os nervos à flor da pele. O castelo havia sido atacado na noite anterior, a futura Luna estava apodrecendo nas masmorras por forjar um crime de alta traição, e o exército estava dividido. A alcateia do Norte, que por séculos se orgulhava de sua estabilidade letal, tremia diante da ameaça de uma guerra civil.No alto do estrado, o Alpha Supremo mantinha-se sentado em seu trono de ferro, o rosto esculpido em uma máscara de fúria contida. A Luna Suprema, pálida e visivelmente abalada pela ruína de sua protegida, Lady Vespera, evitava o olhar dos nobres. O murmúrio de descontentamento crescia a cada segundo. Eles exigiam respostas. Exigiam o herdeiro.Foi então que o estrondo ensurdecedor engoliu o salão.BUUUUM!As imen
Última atualização: 2026-08-29
A Virgem e o Cowboy Proibido

A Virgem e o Cowboy Proibido

Ela era a filha intocável do inimigo. Ele era o criminoso que deveria destruí-la. Nenhum dos dois esperava se apaixonar. Isadora Monteverde nasceu entre luxo, obediência e mentiras. Filha de um dos homens mais poderosos do país, ela sempre foi tratada como uma joia rara: protegida, vigiada e prometida a um casamento perfeito. Até ser sequestrada por Gael Donovan. Foragido, perigoso e movido por vingança, Gael quer atingir o pai de Isadora no lugar onde mais dói: sua filha intocável. Mas a herdeira mimada que ele esperava encontrar se revela uma mulher feroz, teimosa e impossível de ignorar. Enquanto fogem pelo interior, entre ameaças, segredos de família e noites tensas demais para serem inocentes, o ódio entre os dois começa a se transformar em desejo. E Isadora descobre que talvez seu sequestrador não seja o verdadeiro vilão da história. Ela deveria odiá-lo. Ele deveria usá-la. Mas algumas prisões começam a parecer liberdade.
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Chapter: O Império de Areia e Mar
Dois anos depois.A televisão da sala estava no mudo, mas as letrinhas vermelhas no rodapé do canal de notícias não precisavam de som para ecoar na minha cabeça.“Supremo Tribunal nega último recurso. Augusto Monteverde cumprirá pena máxima em presídio federal de segurança máxima.”Apertei o botão do controle remoto, desligando a tela. O reflexo escuro da TV apagada devolveu a imagem de uma mulher que eu mal reconhecia se comparasse com as fotos das revistas de economia de três anos atrás. O cabelo estava preso num coque frouxo, a pele tinha o bronzeado dourado de quem passava as tardes caminhando na Praia do Forno, e os meus pés estavam descalços sobre o piso de madeira da nossa casa no alto da falésia.Eu não usava Armani. Eu vestia uma camisa de botão velha e gasta, que ficava enorme em mim porque pertencia ao homem que tinha acabado de cruzar a porta da frente.O som das chaves caindo na bancada da cozinha anunciou a chegada dele.Caminhei até a varanda, segurando uma taça de vinho
Última atualização: 2026-07-14
Chapter: Fumaça e Sal
A areia fina e gelada da Praia dos Anjos ainda grudava nos nossos pés descalços quando a pesada porta de madeira da nossa casa no alto do morro se fechou, trancando a brisa do oceano do lado de fora.O luau tinha sido um bálsamo inesperado. Uma fogueira alta, violões, a maresia invadindo os pulmões. Eu tinha passado a última hora sentada numa canga, bebendo caipirinha e rindo de histórias triviais com alguns moradores locais que nos acolheram na roda. Pela primeira vez na vida, eu não estava calculando margens de lucro, negociando alianças corporativas ou fugindo de mercenários. E durante todo esse tempo, Gael permaneceu encostado num barco de pesca virado na areia, um pouco afastado da roda. Ele bebeu a sua cerveja em silêncio absoluto, a luz das chamas dançando no rosto cicatrizado, enquanto aqueles olhos azuis possessivos não desviavam de mim por um único segundo. O meu matador particular observando a herdeira arruinada finalmente respirar.Assim que a porta da sala clicou na tranc
Última atualização: 2026-07-14
Chapter: O Silêncio Após a Tempestade
O silêncio absoluto tem um peso que ensurdece quem passou meses ouvindo o som de fuzis e o uivo da própria sanidade desmoronando.Arraial do Cabo nos recebeu com a indiferença monumental da natureza. Não havia repórteres nas ruelas de pedra. Não havia sirenes. Apenas o azul escandaloso e cristalino do mar que banhava a costa e o vento salgado que varria as falésias do Pontal do Atalaia.Aluguei uma casa isolada, de arquitetura rústica, cravada no alto do morro com vista infinita para o oceano. O contraste com o concreto cinzento e blindado de São Paulo era quase alucinógeno.Era o nosso quarto dia ali.Eu estava de pé no deck de madeira, enrolada apenas em uma canga fina. A brisa fria do fim de tarde roçava a minha pele. Deixei o vento bagunçar o meu cabelo livre de qualquer laquê corporativo. Olhei para baixo, observando a minha própria silhueta contra a luz do pôr do sol. Um metro e setenta de altura. Sessenta e cinco quilos de puro instinto de sobrevivência. Não havia mais a fragil
Última atualização: 2026-07-14
Chapter: O Tribunal da História
A justiça tem cheiro de madeira velha, cera de assoalho e hipocrisia engravatada.Sete meses após a noite em que o subsolo da Monteverde foi banhado em sangue, o Tribunal de Justiça de São Paulo parecia pequeno demais para o tamanho do escândalo. O ar-condicionado central estava no máximo, mas o salão do júri fervia. O silêncio era tão denso que o clique das canetas dos taquígrafos ecoava como tiros isolados.Eu estava sentada na cadeira de testemunha. O meu vestido preto de corte reto, assinado por um designer francês, era a armadura perfeita para a ocasião: luto pela família que eu destruí e elegância absoluta para mostrar que eu não estava quebrada.No banco dos réus, o fantasma do meu pai.Augusto Monteverde havia envelhecido vinte anos em sete meses. Ele estava confinado a uma cadeira de rodas tecnológica, a perna direita esticada e inutilizada pelos estilhaços da bala 9mm que eu cravei na patela dele. O cabelo grisalho e impecável agora raleava, e a pele tinha um tom cinzento de
Última atualização: 2026-07-14
Chapter: O Preço da Liberdade
O cheiro de iodo, água sanitária e lençóis esterilizados tentava, sem sucesso, apagar o cheiro de pólvora e sangue que parecia ter grudado na minha alma.Eu estava sentada na beira de uma maca de hospital, iluminada pela luz fluorescente e doentia de uma sala de trauma do Sírio-Libanês. Um médico residente, pálido e com as mãos trêmulas, terminava de limpar os cortes profundos nas palmas das minhas mãos — cortesia do púlpito de acrílico estilhaçado — enquanto dois agentes da Polícia Federal montavam guarda na porta de vidro.O meu advogado, um criminalista implacável chamado Dr. Malta, andava de um lado para o outro no quarto pequeno."A narrativa está do nosso lado, Isadora", Malta falava rápido, checando o celular a cada cinco segundos. "O país inteiro assistiu ao vazamento no telão. A internet está chamando você de heroína. O seu pai passou por uma cirurgia de reconstrução do joelho há duas horas e já acordou indiciado por homicídio múltiplo, fraude e formação de quadrilha. Nós vam
Última atualização: 2026-07-13
Chapter: O Fogo que Purifica
O gemido agudo e desesperado de Augusto Monteverde ecoava pelas paredes de concreto do bunker, mas para mim, soava como uma melodia suave.O meu pai estava largado no chão sujo, as mãos finas e manicuradas tentando inutilmente estancar o sangue escuro que jorrava do joelho estilhaçado. O terno italiano de trinta mil reais estava encharcado com a água suja e o óleo do asfalto da garagem. Ele ergueu o rosto pálido e coberto de suor frio na minha direção. O ódio que contorcia as feições dele era a prova definitiva de que a máscara do "bom pai" havia sido incinerada para sempre."Você é um monstro", Augusto cuspiu as palavras, a voz esganiçada pela dor insuportável. "Você destruiu a sua própria família, sua vadia doente. Você está morta para mim! Morta!"Abaixei o braço, sentindo o peso da pistola 9mm esfriar na minha mão. Eu não vacilei. Eu não derramei uma única lágrima."Eu morri naquele incêndio três anos atrás, pai. Junto com os homens que você mandou queimar", respondi, a minha voz c
Última atualização: 2026-07-13
Vendida ao Monstro do Norte

Vendida ao Monstro do Norte

— Se vai me matar, faça de uma vez — sussurrei, erguendo o queixo enquanto as garras dele roçavam o meu pescoço. O Rei Alpha soltou um riso sombrio que fez meu sangue gelar. Ele prendeu meu corpo contra a parede, os olhos dourados brilhando de possessividade. — Matar você, passarinho? Não. Eu vou devorar você. Todo inverno, uma garota humana é mandada para o abatedouro. O preço da paz é o sangue. O destino? O castelo do cruel Rei Alpha do Norte. Meu nome é Maeve, e eu sou o sacrifício deste ano. As lendas diziam que eu não sobreviveria à primeira noite. Que o Monstro do Norte, um gigante letal e coberto de cicatrizes, rasgaria a minha garganta como fez com as catorze noivas antes de mim. Mas esqueceram de me avisar sobre um detalhe: os três filhos dele. Crianças selvagens, traumatizadas e cruéis que aterrorizam o castelo. Para sobreviver nessa toca de lobos, eu não devo lutar contra o Rei. Eu preciso domar os herdeiros dele. Agora, o Alpha frio e implacável está perdendo o controle. A humana frágil que deveria ser apenas uma oferenda descartável está mandando no seu castelo — e no coração dos seus filhos.
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Chapter: EPÍLOGO
O silêncio do Norte nunca foi pacífico; ele era apenas a calmaria tensa que antecedia o bote de uma fera invisível.Anos haviam se passado desde o dia em que as carruagens de Aedan e Lyra desceram a encosta rumo ao exílio dourado no Sul. Desde então, a Fortaleza de Obsidiana havia mudado o seu ritmo. Kael reinava com pulso firme e justo ao lado de Ravena, consolidando o império que Soren e Maeve haviam forjado no sangue. O meu pai e a minha mãe viviam agora numa trégua sagrada com o tempo, desfrutando das sombras da montanha de forma reclusa e quase intocável. E eu... eu havia assumido o único lugar que a minha biologia e o meu temperamento exigiam: Comandante da Guarda de Elite do Norte.Aos vinte e cinco anos, o meu reflexo nos espelhos de prata de Obsidiana já não mostrava o garoto raivoso que atirava pratos contra a parede ou que rosnava por ciúmes infantis. Os cabelos platinados caíam longos sobre os ombros largos, emoldurando um rosto marcado por cicatrizes de patrulhas nas front
Última atualização: 2026-08-05
Chapter: CXXX - Enfim, sós.
O sol de inverno despontava preguiçoso por trás dos picos gelados, banhando as pedras escuras da fortaleza com uma luz pálida e prateada. O pátio inferior estava mergulhado num caos organizado, uma sinfonia ruidosa de cascos batendo na pedra, metal tilintando, relinchos nervosos e ordens sendo gritadas pelos comandantes da guarda.Mas, para mim, o mundo inteiro estava mergulhado num silêncio ensurdecedor.As despedidas íntimas haviam acontecido nos corredores internos, longe dos olhares dos lordes e dos soldados. Eu havia abraçado Lyra com uma força desesperada, afagando os cabelos brancos da minha menina, sussurrando contra a bochecha sardenta dela todas as promessas e conselhos que uma mãe poderia dar. Eu pedi que ela fosse forte, que continuasse lendo, que não esquecesse o arco longo e, acima de tudo, que permitisse a si mesma ser feliz no Sul. Ela chorou, as lágrimas quentes molhando o meu pescoço, os dedinhos apertando o veludo do meu vestido como se fosse a última âncora do mund
Última atualização: 2026-08-05
Chapter: CXXIX - DESPEDIDAS
O fogo crepitava na lareira da sala de estudos, lançando sombras quentes e dançantes sobre as prateleiras de carvalho maciço e os milhares de pergaminhos que guardavam a história de Obsidiana. O castelo lá fora continuava a sua rotina gélida e militar, mas, dentro daquelas quatro paredes, o tempo parecia ter parado. Não havia Rei, não havia Estrategista, não havia Comandante. Havia apenas uma mãe e os seus dois filhos.Estávamos deitados no chão, sobre os grossos e macios tapetes de pele de urso que forravam a pedra fria. Eu estava no centro, de costas para o chão, fitando o teto abobadado. Torin estava deitado à minha direita, com os braços cruzados atrás da cabeça platinada, enquanto Aedan estava à minha esquerda, de lado, apoiado no cotovelo, observando as brasas com o seu olhar de cobre.Era uma cena idêntica a dezenas de outras que havíamos partilhado quando eles eram apenas filhotes desajeitados, fugindo dos treinos rigorosos de Soren para se esconderem no meu refúgio. Mas agora
Última atualização: 2026-08-05
Chapter: CXXVIII - A CÚPULA
O amanhecer trouxe consigo uma claridade fria e implacável que atravessou as pesadas cortinas do meu quarto, mas não trouxe arrependimento. Quando abri os olhos, o peso reconfortante do braço de Aedan ainda repousava sobre a minha cintura, prendendo-me contra o peito largo e quente dele. A marca na base do meu pescoço latejava num ritmo compassado, um lembrete físico e eterno de que eu havia sido reivindicada. O meu sangue cantava, a minha loba estava em paz, mas o ar que respirávamos estava denso com a promessa da tempestade.A minha pele inteira exalava o cheiro dele. Couro, especiarias, ozônio e o gelo cortante do Sul haviam se fundido à minha lavanda de forma irrevogável. Aedan me ajudou a vestir uma túnica de gola alta, os dedos longos dele demorando-se na minha marca com uma reverência quase religiosa, antes de beijar a minha testa. Não havia mais como nos escondermos. Nós caminhamos pelos corredores de Obsidiana lado a lado, as nossas mãos entrelaçadas. A cada passo, eu via as
Última atualização: 2026-08-04
Chapter: CXXVII - DESISTÊNCIA DELICIOSA
As horas que se arrastaram após o amanhecer foram a tortura mais silenciosa que eu já havia suportado. A nevasca lá fora continuava castigando as muralhas de Obsidiana, uivando como um bando de feras famintas, mas o verdadeiro inferno estava acontecendo dentro do meu próprio corpo.Trancada nos meus aposentos, eu andava de um lado para o outro como um animal enjaulado. A minha pele formigava. O meu sangue parecia espesso, quente demais, correndo pelas minhas veias com uma urgência febril que me deixava tonta. O meu lobo interior estava desperto, arranhando as grades da minha mente, exigindo o macho que a biologia havia escolhido. Eu esfregava os braços, tentando espantar os tremores, mas o cheiro fantasma de Aedan — couro escuro, gelo e especiarias — recusava-se a abandonar os meus sentidos.Quando a noite finalmente caiu, engolindo o castelo numa escuridão profunda, o clique metálico da fechadura da minha porta soou como um tiro.Girei sobre os calcanhares, o coração saltando até a b
Última atualização: 2026-08-04
Chapter: CXXVI - PAI E FILHO
O amanhecer na Fortaleza de Obsidiana, após a nevasca implacável que castigou a montanha durante a noite inteira, nasceu pálido, silencioso e congelante. O castelo parecia mergulhado num transe profundo, as pedras cobertas por uma espessa camada de gelo branco que refletia a luz fraca do sol de inverno.Aedan caminhava pelos corredores da Ala Leste com passos medidos, silenciosos e absolutamente letais. O Estrategista do Sul não havia dormido. O cheiro de lavanda, pele úmida e desejo ainda impregnava as suas roupas e nublava os seus sentidos, uma lembrança física e torturante da garota de cabelos brancos que ele deixara adormecida, trancada e segura nos aposentos dela, poucas horas antes.O lobo dentro dele estava agitado, arranhando as paredes da sua mente, exigindo voltar, exigindo arrombar aquela porta de carvalho e terminar o que haviam começado. Mas a mente humana, afiada e brilhante de Aedan, sabia que o próximo passo não poderia ser dado no calor dos lençóis. O próximo passo pr
Última atualização: 2026-08-03
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