LOGINAlice cresceu em um orfanato e aprendeu cedo que o mundo não tem piedade. Aos doze anos, ela acreditou ter encontrado uma família… mas acabou nas mãos de um homem que tentou destruí-la. Anos depois, ao completar dezoito, ela foge e tenta recomeçar. Sem ter para onde ir, aceita trabalhar como babá da filha de Arthur Monteiro, um bilionário viúvo e frio, marcado pela morte da esposa. Mas o que Alice não esperava era que ele se tornaria sua maior proteção… e sua maior fraqueza. Porque o passado voltou. E o monstro que a perseguiu nunca esqueceu sua promessa.
View MoreFim de tarde…O sol descia devagar.Sem pressa.Como se também tivesse decidido ficar mais um pouco.A luz entrava no quintal em tons dourados.Quente.Suave.As sombras se alongavam na grama.E o ar… parecia mais leve.Eu estava sentada na cadeira de sempre.Aquela que já tinha virado meu lugar sem que eu percebesse.Respirei fundo.Pela primeira vez no dia…não tinha nada me puxando pra frente.Nem lista.Nem relógio.Nem urgência.Só… aquele momento.— PEGA!— NÃO VALEU!— VALEU SIM!As vozes vinham do fundo do quintal.Sophia correndo.Rápida.Segura.Já com aquele jeito decidido que não precisava mais provar nada pra ninguém.Mateo logo atrás.Rindo alto.Errando o caminho.Mas nunca desistindo.— EU GANHEI!— NÃO GANHOU!— GANHEI!— NÃO GANHOU!Sorri.Algumas coisas…não mudavam.E, sinceramente…ainda bem.Arthur se aproximou sem fazer barulho.Eu não ouvi os passos.Só senti.Ele sentou ao meu lado.Perto o suficiente pra encostar.Natural.Como se o corpo já soubesse exatamen
De manhã…O despertador nem sempre tocava.Mas a casa… acordava mesmo assim.— Mãe!— Mamãe!— Já tô indo!Abri os olhos antes de levantar.Um segundo de silêncio…e depois o mundo voltando.Virei o rosto.Arthur já não estava na cama.Claro que não.Sentei devagar.O corpo ainda lembrava que o dia começava cedo demais.Mas o som lá fora…valia a pena.— NÃO É ASSIM!— É SIM!— NÃO É!Sorri sozinha.Levantei.Fui até a cozinha.E encontrei o cenário de sempre.Mateo em cima da cadeira.Tentando passar manteiga no pão.Mais na mesa do que no pão.Sophia ao lado.Observando.Julgando.— Você tá fazendo errado.— Não tô!— Tá sim.— Eu sei fazer!Arthur, atrás deles…segurando o riso.— Bom dia — falei.— BOM DIA! — Mateo respondeu, alto demais.— Bom dia — Sophia disse, mais controlada.Arthur se aproximou.— Bom dia.Encostou um beijo leve na minha testa.Rápido.Natural.Como se sempre tivesse sido assim.— Ele tá desperdiçando comida — Sophia comentou.— Eu tô aprendendo! — Mateo reb
Algum tempo depois… — Não é assim! — É sim! — Não é! — É! Respirei fundo da cozinha. Olhei pra Arthur. — Quer apostar? Ele nem tirou os olhos do notebook. — Não. Eu já sei quem tá certo. — Quem? — Nenhum dos dois. Sorri. Justo. Fui até a mesa da sala. E lá estavam eles. Sophia, concentrada demais pra alguém da idade dela. E Mateo… com a língua levemente pra fora, segurando um lápis como se fosse uma missão de vida ou morte. No meio da mesa… um caderno aberto. Com várias tentativas. “Mateo” escrito de todos os jeitos possíveis… menos do jeito certo. — O que tá acontecendo aqui? — perguntei. Sophia nem olhou. — Ele não sabe escrever o nome dele. — Sei sim! — Mateo rebateu na hora. — Isso aí não é seu nome. — É sim! Olhei pro caderno. “MAETO” — Quase — falei. Mateo me olhou. — Eu falei! — Quase — repeti. Sophia bufou. — Eu já expliquei cinco vezes. — Ela explica rápido demais — Mateo reclamou. — Eu explico normal! — Não explica! — Ei — chamei, cal
Alguns anos depois… — NÃO EMPURRA! — EU NÃO EMPURREI! — EMPURROU SIM! — NÃO EMPURREI! Suspirei. — Cinco minutos — murmurei. Arthur, ao meu lado, cruzou os braços. — Eu dei três. — Otimista. A discussão vinha do quintal. Alta. Intensa. Familiar. — EU SOU MAIS RÁPIDO! — EU SOU MAIS INTELIGENTE! Arthur arqueou a sobrancelha. — Quem você acha que é quem? Inclinei a cabeça. — Fácil. Um segundo depois… — EU SOU A CHEFE! Arthur assentiu. — Sophia. — Exato. Saímos pra fora. E lá estavam eles. Sophia, agora maior. Braços cruzados. Postura firme. E Mateo… cabelo bagunçado. joelho sujo. respiração acelerada. Claramente culpado. — O que aconteceu? — perguntei. Silêncio. Os dois olhando pra gente. — Ele empurrou — Sophia disse. — Eu só passei na frente — Mateo rebateu. — Correndo! — Era corrida! Arthur passou a mão no rosto. — Ok. Vamos organizar isso. Ele apontou. — Um de cada vez. Sophia levantou o dedo na hora. — Eu estava ganhando. — Não tava — M












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