Chapter: CAPÍTULO 51: SEM FRIO NO ARNyana mal teve tempo de respirar. Araziel a segurou de frente para ele, colocando-a contra a borda da cama larga que ocupava quase toda a suíte privada. Ele se ajoelhou devagar entre as pernas dela, os ombros largos forçando as coxas dela a se abrirem.— Araziel… — ela sussurrou, a voz ainda rouca da adrenalina do dia.— Quieta — murmurou ele, rouco, já deslizando as mãos grandes por baixo das nádegas dela. — Deixa eu cuidar de você.Com um movimento firme e possessivo, ele ergueu os quadris dela, posicionando-os sobre os próprios ombros. Os calcanhares de Nyana se apoiaram nas costas dele, os pés se cruzando instintivamente. A saia executiva subiu até a cintura, revelando as coxas pálidas e macias, a calcinha branca já úmida colada à pele, tudo que ele queria ver e possuir.A posição era perfeita. Vulnerável. Exposta. Totalmente entregue.(Porra… olha pra ela. Depois de tudo — tiros, sangue, deserto —, ainda confia em mim pra isso. Ainda abre as pernas e me deixa comer ela como se o
Last Updated: 2026-06-27
Chapter: CAPÍTULO 50: FUGA NO DESERTOFoi nesse instante que o ronco de motores se aproximou rapidamente.Dois SUVs surgiram pela lateral da estrada, levantando uma enorme nuvem de areia. Omar estava no primeiro, de pé na caçamba com uma metralhadora montada, o rosto endurecido.Ele pulou para o chão antes mesmo do carro parar completamente e abriu fogo contra os homens de Malik.— Limpo! — gritou Omar, já avançando.O tiroteio final foi curto e brutal. Omar, seus dois agentes e os guarda-costas restantes de Araziel neutralizaram o resto dos atacantes com eficiência impiedosa.Quando o último corpo caiu, o deserto voltou ao silêncio absoluto, quebrado apenas pelo vento quente e pelo crepitar de metal.Araziel se levantou, sujo de poeira e sangue alheio, e estendeu a mão para Nyana.— Entra. Vamos embora.Nyana segurou a mão dele. Seus dedos ainda tremiam levemente quando ele a puxou para dentro do carro de resgate.O carro sacolejava pela estrada de terra, afastando-se rapidamente do local da emboscada. O cheiro de pólvor
Last Updated: 2026-06-27
Chapter: CAPÍTULO 49: A RAINHA QUE ATIRAO elevador descia devagar, os números piscando no painel. Cada segundo parecia mais longo que o anterior.O silêncio entre eles era denso, carregado de adrenalina, medo contido e algo mais primitivo — a consciência aguda da proximidade do corpo do outro.O SUV blindado saiu da garagem de manutenção do Burj Al Arab pela rampa de serviço, mergulhando na escuridão que antecedia o amanhecer. Três veículos idênticos, todos pretos, mesmos vidros fumês, mesmas placas falsas, partiram em intervalos de trinta segundos por rotas diferentes. Omar estava em um deles, atuando como isca principal.Dentro do carro do casal, o silêncio era pesado.O deserto se abriu à frente deles como um mar escuro e infinito. A luz do amanhecer começava a tingir o horizonte de um laranja avermelhado, mas o ar ainda estava frio, cortante. O asfalto deu lugar a uma estrada de terra batida, e o veículo sacolejava suavemente, o motor ronronando baixo. O cheiro de poeira seca entrava pelas ventilações.Nyana, ainda vest
Last Updated: 2026-06-27
Chapter: CAPÍTULO 48: INVISIBILIDADE QUE NÃO ESCONDE10:45h — Suíte Presidencial do Burj Al ArabAraziel abriu a porta da suíte com mais força do que o necessário. O clique da fechadura soou como um tiro abafado no silêncio luxuoso do Burj Al Arab. A luz dourada da manhã entrava pelas janelas altas, refletindo no mármore claro e nos detalhes dourados, mas o ar dentro da suíte já não tinha mais o peso calmo da noite anterior. Agora carregava urgência.Nyana ergueu o olhar do tablet, o corpo se tensionando imediatamente ao ver a expressão dele. Araziel ainda vestia o uniforme operacional preto, mas havia algo diferente no modo como se movia — mais afiado, mais predatório.— Eles confirmaram — disse ele, voz baixa e cortante, sem preâmbulos. — Amir e Malik vão tentar de novo. Esta noite. Não vamos esperar sentados.Ele atravessou a sala em poucas passadas largas e parou na frente dela. Sem pedir permissão, abriu uma maleta preta sobre a mesa e tirou uma pistola compacta com silenciador. A arma era pequena, leve, quase delicada — feita para
Last Updated: 2026-06-27
Chapter: CAPÍTULO 47: MOEDA DE TROCAAraziel se afastou um passo, cortando a conversa com o corpo.— Éramos todos soldados em uma operação complicada... — começou Omar.— Eu era o responsável por tudo e por vocês — completou Araziel.— Mas isso não te faz menos humano — retrucou o amigo.Araziel parou por um breve momento, de costas.— Qual é lobo, nada daquilo que aconteceu era sequer previsível.Ele se virou apenas o suficiente para que Omar visse o perfil duro.— Eu não sou previsível.E se afastou, voltando a focar na operação, a voz voltando ao tom frio e operacional:— Vamos descer. Quero os dois na sala de interrogatório antes que o dia esquente.Omar balançou a cabeça devagar, resignado.— Maldito teimoso.Nyana, ainda sentada à mesa, não ergueu os olhos do tablet. Mas seus dedos pararam por meio segundo sobre a tela.Uma pontada quente e inesperada atravessou o peito dela — rápida, afiada, como uma agulha fina. Ciúme. Puro, incômodo, ridículo. Ela apertou o tablet com mais força, forçando a respiração a permanec
Last Updated: 2026-06-27
Chapter: CAPÍTULO 46: UNIFORME E RUBOR06:45h — Suíte Presidencial do Burj Al ArabNyana acordou devagar, o corpo ainda pesado de uma noite que parecia ter durado dias. O lençol fino escorregava sobre sua pele nua, e o ar-condicionado da suíte presidencial soprava frio contra os ombros expostos. Antes mesmo de abrir os olhos, o cheiro a alcançou: café forte, rico, recém-passado. E algo mais. O cheiro dele — pele limpa, sabonete caro, um vestígio sutil de metal e couro.Ela se sentou, segurando o lençol contra o peito. Araziel estava de pé junto à mesa de serviço, já banhado e trocado. Não era o terno habitual. Era um uniforme operacional preto completo — calça tática, camisa de manga longa justa ao corpo, colete leve por cima, botas de combate discretas. O tecido escuro moldava os ombros largos, o peito largo, os braços que ela sabia, agora, exatamente quão fortes eram. Ele parecia pronto para guerra. Imponente. Perigoso. E absurdamente atraente.O rubor subiu pelo rosto dela como fogo lento, impossível de conter. Desceu p
Last Updated: 2026-06-27
Chapter: XI - As primeiras horas do dia 35.Meses atrás, quando o caso de desaparecimento dos conhecidos jovens esportistas repercutiu, chocou a cidade do interior e ninguém sabia mais do que o (não) dito por Danu. O mistério é o suficiente para motivar as crianças a criarem uma canção: “Danu, Danu, com eles, partiu. Danu, Danu, com eles, seguiu. E um dia, sozinha, surgiu. Danu, Danu, onde estão? Danu, Danu, perdida do rio. Comeu suas palavras? Comeu suas almas? Danu, Danu? Onde estão? Sua cuca, o rio levou!” Só escutara essa canção infantil uma vez, o suficiente pa
Last Updated: 2022-06-21
Chapter: X - Trigésimo Dia com mais dois: parte 2Sem dizer uma palavra, ela sorri, vira e segue para dentro da gruta. Danu grita seu nome repetidas vezes, mas o som já não sai de sua boca. Por mais rápido que a persiga, mais rápido ela se distancia. Estende a mão várias vezes para a agarrar, sempre a um fio de alcançá-la. Em um dado momento, tropeça, caindo em meio ao pó e ali permanece. De onde está, ergue a cabeça e arregala os olhos, o que enxerga abaixo é um círculo perfeito de pedras arredondadas, tendo ao centro uma larga e plana com a superfície preenchida de inscrições talhadas. Pressiona o ferimento no braço, abaixa a cabeça e se põe de pé. Ao olhar novamente para o monumento, assusta-se de tal forma que a faz desequilibrar e deslizar abaixo. Quando seus pés tocam o fundo, aperta os olhos, como se estivesse tentando concentrar-se no que era real. Ao olhar novamente, sua boca abre em espanto. Parado ao lado da pedra com inscrições, há a figura em negro do homem alto, trajando chapéu, o mesmo ser que a perseguia em seus pes
Last Updated: 2022-06-21
Chapter: X - Trigésimo Dia com mais dois: parte 1Aproveita a recém-calmaria e, em um passo de cada vez, segue para fora do refeitório quando então um borbulhar inquieto de pura escuridão toma a luz ao fim do túnel — outra revoada retornava. Quase não teve tempo de abaixar e se proteger atrás da mochila. Enquanto passavam, perde as contas de quantos trombam contra seu capacete e, ao dar a volta, dá de cara com um deles pousados ao chão. O reconhece de imediato — é o batedor —, ele está em busca das manchas rubras e frescas, concentrado demais em drená-las para notar a presença da mulher. Foi então que as sobrancelhas de Danu erguem-se ao perceber tratar de seu próprio sangue quando finalmente se dá conta do ferimento no braço. Agachada, recua até bater com a mochila na parede, rasga uma tira da blusa e a amarra sobre o corte vívido. O animal insidioso agita as asas e, com suas longas patas, começa a se aproximar. Nesse mesmo tempo, Danu, cautelosa e sem desviar a atenção dele, se afasta caminho acima. Nesse hiato, um fio de água at
Last Updated: 2022-06-20
Chapter: IX - Trigésimo dia e ¼: parte 2Como se estivesse preso sob pressão, uma espécie de gás marrom escapa de dentro, contorce o nariz e se põe apreensiva. Escolhe um longo pavio de cipó ceroso e o pôs no orifício por onde o projétil atravessara e, então, o acende. Afastada e aguarda o fogo consumir lentamente o cipó. Espera por quase meia hora, quando, por fim, lentamente adquire coragem para voltar e empurrar uma abertura na porta. O ar do lugar a faz tossir e tapar o nariz. Se afasta, retira a blusa regata e a faz de meia máscara que cobre nariz e boca. Agora, com toda a força, termina de abrir a porta emperrada a pontapés. Com a entrada escancarada, o restante de uma névoa café escapa sem pressa. Cautelosa, ilumina o local. Logo na entrada, desbaratadas latas e caixas de papelão vazias preenchem velhas prateleiras de madeira. Então segue para o outro extremo do recinto, onde encontra empilhados uns sobre os outros pacotes e mais pacotes do mesmo pó branco espalhado afora, suficiente para construir uma parede. Então,
Last Updated: 2022-06-18
Chapter: IX - Trigésimo dia e ¼: parte 1Amanhece, Danu ainda balbucia, observando o monte ordenado de pedras. Perdida em sua mente, recordações desdobram uma de cima de outras mais profundas como a casca de cebola. Inflama uma versão dela mesma eternamente escondida em um pequeno armário apertado, tendo como única visão a proporcionada por uma fresta entre as portas, e de dali observa o vulto do homem alto buscando-a. Somado a isso, havia uma Danu mais crescida e se apresenta em outra realidade ajoelhada, cercada de memórias estilhaçadas, como o vidro da janela às margens da consciência. Peça por peça, junta os cacos, a dor ao tocar as pontas afiadas se faz presentes a cada instante. São as recordações que lhe deformam a face: revive a continuação do dia da caminhada na floresta. Oculta na vegetação da mata, de uma forma covarde, segue até onde os captores levam seus amigos. Vê que entram em uma caverna, cuja localização busca relembrar há meses e demarcara um sem-número de possibilidades em todos os mapas sobre a mesa da
Last Updated: 2022-06-18
Chapter: VIII - Quarta Semana: parte 2E ali, por várias vezes, tenta escalar de volta, mas tudo que consegue é retornar abaixo, por mais que tente se agarrar, a subida íngreme e o peso extra a fazem deslizar. Pensativa, roda em círculos, até que para e começa a juntar pedregulhos sobre a base, pedra sobre pedra, as apoia sobre o declive côncavo até criar uma improvisada escada tombada. De frente para a “3bD”, decide seguir pelo outro caminho, o marca como “3bE” e prossegue para o túnel até que o espaço se torna tão estreito que se vê obrigada a caminhar de lado. Em um ponto, a passagem enfunila de tal modo que só a permite seguir a espessura do corpo, deixa a mochila ao chão e derruba vigas de madeira para conseguir espaço para prosseguir. Então, mais à frente, repetiu o processo outra vez mais, indo para a direita, onde anotou “4bD”. Com a tocha, ilumina uma grande abertura, ao chão, há velhos uniformes laranjas espalhados, tais como a do invasor devorado. Verifica o lugar, e não encontra nada útil, segue adiante até ch
Last Updated: 2022-06-17
Chapter: Capítulo 38 — Memórias do meu tempo com vocêO tempo não tinha cor.Nem som.Nem direção.Yaskara existia — ou acreditava existir — dentro de uma vastidão translúcida, onde o passado e o futuro se dissolviam em ondas de luz dourada.Via fragmentos de si flutuando ao redor: a voz de Eiran, o toque do vento, o eco distante de sinos.Mas nada era fixo.Tudo era lembrança tentando se lembrar de ser real."Quem... sou eu?"A pergunta soou, e o espaço respondeu em vibrações suaves.Luzes se agruparam, formando uma figura humana — calma, envolta em véus azulados.Os olhos dela eram como espelhos cheios de eras.— Ainda se lembra de mim? — perguntou Aetharion, com voz leve.Yaskara piscou, tentando reconhecer a forma.— A voz... é antiga.— Porque vem de onde o tempo descansa.A presença de Aetharion irradiava serenidade.Ela se aproximou, observando as linhas de luz que saíam do corpo de Yaskara — fios dourados que atravessavam o vazio e desapareciam em todas as direções.— Você se expandiu demais, — disse Aetharion. — Tornou-se o próp
Last Updated: 2025-11-04
Chapter: Capítulo 37 — O Instante Entre Dois MundosO entardecer cobria o pátio da Academia Arcana.Yaskara segui pelos corredores a caminho do dormitório. O ar estava frio, e o silêncio era quebrado apenas pelo som distante dos sinos.Então, o vento mudou.O espaço à sua frente tremeu — e Voss surgiu, como se o mundo tivesse piscado.— Você acha que é muito tarde para testarmos algo? — perguntou ele, sorrindo. — Tive uma ideia que não podia esperar até amanhã.Antes que ela pudesse responder, o ar se distorceu outra vez.Em um piscar de olhos, os dois estavam em outro lugar — um anexo antigo, nos limites da Academia, esquecido entre as árvores.A energia ali era densa e calma, um espaço onde até o tempo parecia hesitar antes de seguir.Ela o observou em silêncio.— Pela sua ansiedade já sei sobre o que é.Voss assentiu.— O Selo da Concordância. Acho que encontrei uma maneira de neutralizá-lo sem romper nada.Explicou, em voz baixa, o raciocínio que amadurecera desde o entardecer: criar um espaço inverso — uma dobra onde o selo pudess
Last Updated: 2025-11-04
Chapter: Capítulo 36 — Irmãos do DestinoO som do berimbau cortava o ar quente da manhã como um chamado ancestral.Cada toque reverberava pelo pátio da Academia Arcana, guiando o ritmo dos alunos que treinavam descalços.A arena de combate — ampla, aberta e cercada por colunas antigas — vibrava no compasso da ginga, onde o corpo e o Éter se tornavam um só.Pedro Oliveira, os longos rastafáris presos em um rabo de cavalo, caminhava entre os alunos com o peito nu e o sorriso escancarado de quem transformava luta em celebração.O sotaque arrastado e a voz grave ecoavam com energia contagiante, misto de mestre e trovão.— Mais força, idiotas! — gritou, batendo palmas no ritmo do berimbau. — Vocês não estão brigando com fantasmas, estão brigando com o medo de morrer!Um dos rapazes tentou uma esquiva mal calculada e caiu de joelhos.Pedro soltou uma gargalhada sonora, vibrante, que ecoou por toda a arena.— É isso! Sinta o chão! Aprenda com ele! — exclamou, batendo o pé ritmado no tatame. — O solo é seu primeiro inimigo e seu pri
Last Updated: 2025-11-04
Chapter: Capítulo 35 — Ecos do Erro e a ambição de uma famíliaO distrito da Liberdade, em São Paulo, despertava com o amanhecer, embalado pelo murmúrio constante de passos e idiomas misturados.Mas sob o chão — em uma rede antiga de túneis esquecidos pela prefeitura e apagados dos registros do Conclave —, um grupo de magos trabalhava em silêncio.Nenhum selo familiar, nenhuma insígnia.Apenas um discreto emblema gravado no metal dos braceletes: um anel dividido em doze marcas equidistantes, cruzado por um ponteiro fixo — o símbolo da Organização Bohr, a casa que dominava o estudo do tempo e das linhas de causalidade.“Ponto zero confirmado. A anomalia ressonante persiste entre o 12º e o 14º subnível. O fluxo etéreo está… instável.”— relatou o mago de campo Elias Varga, ajustando o sensor de Éter enquanto as leituras formavam curvas oscilantes em dourado e branco no visor.Essas leituras não pertenciam a um fluxo comum de Éter.Eram pulsos cronais — fragmentos de tempo residual, como se o próprio passado tentasse se repetir em silêncio.“Mantenh
Last Updated: 2025-11-04
Chapter: Capítulo 34 — A Reunião do Conclave# RELATÓRIO DE MISSÃO — ARQUIVO CONFIDENCIALDocumento: Nº 478-A / Conclave EtéreoData: [RESTRITO]Local: Ruínas de Paraitinga – Interior de São Paulo, BrasilMissão: Estabilização e redistribuição do Fluxo Etéreo – Área de Colapso Temporal ResidualClassificação: Tipo Especial / DiplomáticaResponsável de Campo: Bárbara Lima (Arcanista Sábia – Instituto Arcano de São Paulo)Colaboradora Designada: Yaskara Bohr (Arquimaga Temporal – Registro Internacional Bohr-07, Filiação Estrangeira reconhecida pelo Conclave)* Resumo da OperaçãoA missão iniciou-se às 09:40.O objetivo principal era avaliar as condições de estabilização do Fluxo Etéreo nas ruínas e redefinir o perímetro de contenção sob jurisdição do Instituto Arcano de São Paulo, com autorização do Conclave Etéreo.Durante a inspeção, constatou-se instabilidade temporal espontânea, de origem indeterminada.As flutuações de Éter coincidiam com distorções no eixo cronológico local — repetição de eventos, inversão da luz solar e per
Last Updated: 2025-11-04
Chapter: Capítulo 33 — As Ruínas de ParaitingaAs nuvens cobriam o céu do Vale de Paraitinga como um manto de chumbo, e o vento que descia da serra parecia hesitar antes de tocar o chão.O antigo mosteiro, parcialmente engolido pela mata, era agora um ponto de contenção etérea — um lugar onde o tempo começara a escorregar pelas frestas da realidade.Bárbara Lima ajustou o manto escuro do Conclave, o brasão rosa-âmbar gravado no ombro.Arcanista do tipo sábia, era conhecida pela serenidade com que manipulava o Éter — uma calma que se refletia nos olhos amendoados e no tom disciplinado da voz.Os cabelos cacheados emolduravam o rosto delicado, mas a postura firme denunciava uma precisão treinada.Sua presença bastava para acalmar o ar, e até o Éter parecia se reorganizar em torno dela.Pela experiência, ela sabia:o silêncio ali não era natural.Era o tipo de silêncio que escuta de volta.Atrás dela, dois assistentes do Instituto Arcano de São Paulo preparavam os selos de estabilização, enterrando prismas de quartzo sob o solo úmido
Last Updated: 2025-11-04