Chapter: 13 - Não somos amigos.TAMARA— Aconteceu que eu surtei, — comentei, sorrindo sem humor. — Eu surtei pra caramba! Deixando de encarar a vista, virei-me para o lado contrário, onde estava o bar, apoiando minhas costas na grade. — Aquela foi a primeira vez, desde os últimos anos, em que eu perdi totalmente o controle. Sentir o pânico tomar o controle de todo o meu corpo foi bizarro pra caralho. Se não fosse você ter me tirado de lá, eu não sei o que seria de mim ou da minha mãe... — Despejei tudo de uma vez, esperando alguma reação da parte dele. Mas o silêncio entre nós prevaleceu, me deixando desconfortável. — Agora que já sabe, não tem mais motivos para ficar. Eu não estou mais em apuros — fui irônica — eu vou ficar bem, mas agora preciso ver como está a dona Talita. Eu não disse obrigado. Isso era óbvio. Contar o que havia acontecido, demonstrar que era importante ele saber... aquela era a minha forma de agradecer. Eu não era muito boa com palavras, e não era a melhor pessoa para falar sobre os meus
Última atualização: 2026-04-09
Chapter: 12 - O que aconteceu lá?TAMARA Os braços que me tiraram daquele caos ainda me rodeavam. Ele estava me levando para longe. Longe daquele caos, longe da minha mãe, longe daquela casa que mesmo depois de anos, ainda me fazia lembrar e reviver o luto do meu irmão dia após dia, remoendo o fato de que ele não voltaria mais. Meu coração ainda batia fortemente em um ritmo descompassado; me trazendo a sensação de que meu peito poderia se rasgar ao meio a qualquer momento. E mesmo indo para longe de tudo aquilo, eu ainda me sentia sufocada; como se alguém quisesse me fazer suplicar pelo ar que me faltava... — Calma, porra! — ele me apertou, descendo o beco estreito com pressa, enquanto me carregava em seus braços... — Respira! Eu vou te tirar daqui. — suspirou, me encarando por um segundo. — Eu não vou conseguir... — minha voz saiu arrastada, a respiração ainda ofegante. Eu odiava essa sensação, e odiava ainda mais não consegui deixá—la ir embora sozinha — me ajuda, por favor! Meu pedido soou como súplica, mas
Última atualização: 2025-09-23
Chapter: 11 - Se ainda se importa, preste socorro.MEXICANOColoquei a chave na ignição, jogando a bandoleira para trás trazendo o fuzil para a frente no modo porte e montei na moto acelerando em meio as ruas estreitas do morro, a fim de chegar mais rápido ao pegar os atalhos, mas o caminho parecia ficar ainda mais longe à medida que eu avançava entre as vielas.Era estranho, essa sensação era desconhecida para mim quando eu só estava esperando arrependimento. Eu não deveria estar desesperado para chegar, ou preocupado demais com alguém que eu tinha acabado de conhecer. Eu não era do tipo que tinha empatia por qualquer pessoa, mas aquele choro me comoveu o bastante para eu abandonar o plantão e sair sem ao menos olhar para trás.Mas quem eu queria enganar? Ela era uma das poucas pessoas que realmente tiveram um diálogo duradouro comigo sem que me achasse um grande filho da puta, e mesmo eu ignorando, isso mexeu comigo. Eu odiava ver uma mulher chorar.Atravessei uma última viela e passei para o outro lado da rua, parando em frente ao
Última atualização: 2025-03-05
Chapter: 10 - Forte e amargo.TAMARATalvez enfermagem não fosse o meu curso. Talvez não fosse o que eu realmente queria. Eu gostava de ajudar, mas não tinha esse instinto. Não era algo que vinha ser automático...Ver a minha mãe caída no chão e não ter o reflexo de checar os seus sinais vitais ou qualquer outra coisa que eu pudesse fazer para ela recobrar consciência, me fez sentir incapaz de exercer as manobras básicas que aprendi no decorrer dos últimos anos na faculdade. Naquele momento era apenas eu, uma filha desesperada para socorrer a mãe que estava em uma situação delicada e que sequer sabia que ela sairia dela. Era apenas eu ligando para alguém que havia acabado de conhecer, para ajudar a levar minha mãe até o hospital mais próximo da comunidade, sem ao menos ter certeza de que receberia a ajuda que eu procurava e precisava. — Não somos amigos. Você entendeu, não é? — a voz soou sarcástica do outro lado da linha. Não rebati. Apenas a minha respiração estava sendo ouvida pela linha telefônica, e sem que
Última atualização: 2024-11-21
Chapter: 09 - Teremos que seguir em frente.TAMARA Acompanhei cada passo seu até ele chegar ao final do corredor estreito, onde o beco que dava acesso à minha casa terminava. Talvez ele estivesse certo. Mas a vingança não traria o meu irmão de volta, assim como não mudaria o fato de que eu já estava condenada a viver o resto da minha vida no submundo do crime, ou à morte de qualquer forma, no momento em que aceitei o acordo que eu mesma propus para o Darlan. Eu não queria admitir que isso havia passado pela minha cabeça, e que, por um mísero segundo, eu pensei em estar aqui só para me vingar de qualquer um que fez o meu irmão sofrer, porque era mais fácil admitir que eu estava precisando de dinheiro do que querer uma vingança que no final seria algo totalmente suicida. Eu não era tão tola, no final das contas. Parado na entrada do beco, ele nem se deu ao trabalho de olhar para trás. Apenas observou ambos os lados da rua e sumiu entre uma esquina e outra, com a missão de me buscar na noite de amanhã para dar início a um cam
Última atualização: 2024-09-03
Chapter: 08 - Ele não iria querer te ver aqui.TAMARAObservei o Darlan sair do meu campo de visão ao descer pela escadinha em frente a casa onde ele estava com os outros dois deixando apenas um dos três que o acompanhavam comigo, e sumir por uma das vielas que desembocavam nas próximas ruas a nossa frente ligando umas as outras. E quando os meus olhos não o alcançaram mais, eu soltei todo o ar preso em meus pulmões como quando a válvula de um cilindro de oxigênio é girada repetidas vezes, para salvar a vida de alguém.— Ele não iria querer te ver aqui. E você sabe disso, não é? — o homem ao meu lado proferiu, agora sem expressar nenhuma emoção ao me encarar com suas íris pretas, não me deixando ver sua dilatação.Seu corpo era alto e esguio, com tatuagens espalhadas por seus braços e ombros largos. Seu pescoço também era tatuado, com um desenho mórbido de uma imensa aranha que descansava em sua teia, a espera de uma presa fácil.Eu queria conseguir respondê-lo, usar a mesma confiança que usei com o Darlan para não transparecer a
Última atualização: 2024-03-21
Chapter: EpílogoRAELDepois de ter passado boa parte da festa com a Clara e ter recebido felicidades de todos alí, eu consegui sair para agradecer.Eu poderia esperar para ir a uma igreja, ou até mesmo esperar que a festa acabasse e só agradecesse quando fosse dormir. Mas eu precisava mesmo fazer isso agora.Sai da casa pela porta da frente e dei a volta no jardim, subindo as escadas para a laje. Tava de tardezinha já. Um por do sol maneiro até e eu fiquei alí, só recordando tudo o que aconteceu comigo durante todos esses anos.Eu costumo dizer que se você perde algo é porque aquilo não era pra ser teu. Não vou mentir não, eu senti pra caralho quando perdi a Renata e o meu filho. Mas se o cara lá de cima quis daquele jeito, teve que ser. E eu ainda tinha a Rita, foi por ela que lutei para sobreviver. Me mantive forte e focado em cuidar dela, por isso qualquer bagulho que aparecia, eu encarava. Ia lá batalhar só pra ela não passar fome, assim como eu passei um dia. Foi tudo por ela.Quando fizeram aqu
Última atualização: 2024-01-10
Chapter: Setenta e seteCLARAA Ritinha desceu do carro primeiro e logo depois eu desci, sendo acompanhada pela Aninha e o Sorriso que desligou o carro e travou as portas, guardando as chaves no bolso da bermuda. Segurei na mãozinha da Rita e subi o batente, indo ao encontro do Rael.Entramos juntos, e assim que passamos da porta já era possível ouvir a música 9 meses ao fundo e ver todos os balões azuis e rosa que decoravam o teto da sala. E bem lá no meio, havia uma mesa com vários docinhos, roupinhas, lembrancinhas e no centro, um bolo metade rosa e metade azul.Tava tudo muito lindo. Fiquei apaixonada demais, e minha ansiedade em saber o resultado só aumentou quando vi três quadrinhos com os possíveis nomes para os convidados escolherem. Que se fossem meninos, seriam "Isaac e Cauã. Meninas, Rebeca e Hadassa e se fosse um casal, Ravi e Aylla.- Vacilo! Cadê o nome Charles aí? - O Sorriso perguntou parando perto da bancada - Não tem, então vou na dupla sertaneja - Disse pegando a caneta e uma folhinha azul
Última atualização: 2024-01-10
Chapter: Setenta e seis3 meses depois.CLARADepois de tantas consultas por insistência da minha mãe, no terceiro mês da minha gestação a minha ginecologista nos revelou que ao invés de um, estavam a caminho dois bebês.De início, fiquei com um pouquinho de receio e medo junto do Rael. Eu era tão novinha. Seria uma gravidez de risco? Será que eu teria espaço para os dois alí? Mas em meio a conversas com a minha médica, ela me tranquilizou e tranquilizou o Rael. Não tinhamos riscos, mas para prevenir, eu teria que ter bastante repouso e uma boa alimentação. Acompanhada das vitaminas que ela me recomendou, e alguns remédios que ela julgou serem necessários para os enjoos.Hoje faço 5 meses de gestação. E como planejado, fariamos o chá revelação para saber o sexo dos bebês.- Tá maluco, eu fico lindão de azul! Olha isso - O Sorriso falou arrumando a camisa vendo o seu reflexo no espelho, e eu ri do quão convencido ele é.E enquanto a Martinha arrumava as alças do meu vestido, a Aninha terminava a minha make.-
Última atualização: 2024-01-10
Chapter: Setenta e cincoNEGUINHO- Calma aí, deixa pelo menos eu respirar - Falei parando no portão, passando a mão no peito.- Dário, pelo amor de Deus não vai desmaiar outra vez - A Martinha falou colocando as mãos na cintura, parando a minha frente - Vou te deixar cair no chão, garoto - Disse e eu olhei pra ela indignado.- Que isso, cara - Desencostei do portão - Não vou não, amor - Passei por ela - Mas quem vai abrir a porta dessa vez é tu - Falei e ela revirou os olhos, indo na minha frente.Ela passou na frente e eu fui atrás tentando conter meu nervosismo, o que era foda. Papo até de tremer eu tava. E pior que na primeira vez, menor, esse papo era bagulho sério e eu não queria nem imaginar como o Talibã reagiria agora.- Tem certeza que hoje é um bom dia pra contar? - Perguntei assim que entrei, com ela na minha frente - Porra, Marta! Eu tô tremendo, cara - Falei parando perto do sofá.- Vamos logo, para de graça - Ela falou me puxando, indo até a cozinha - Boa tarde família linda!!! - Me puxou, faze
Última atualização: 2024-01-10
Chapter: Setenta e quatroSORRISO- Tarlisson! Você tem certeza disso, meu filho? - Minha coroa me encarava apreensiva, enquanto eu arrumava a minha mochila. - Já tomei a minha decisão, dona Talita - Fechei o ziper da mochila e peguei meu boné, colocando o mesmo - Vou piar aqui sempre que der, mãe! Fica tranquila - Falei a puxando pra um abraço e ela logo me apertou com toda a sua força.- Como eu vou ficar tranquila, Tarlisson?! Tu vai pra longe de mim e ainda vai continuar com essa vida errada aí... você sabe que não precisa disso - Falou me soltando. Ela ainda me encarava apreensiva, e até um pouco aborrecida também. Mas eu não poderia fazer nada, eu já tinha decidido e tirar um bagulho da minha cabeça era ossada. Eu não iria ficar aqui vendo o casal 20 subindo e descendo esse morro na maior melação, não mesmo. Sem as chance, menor. - Não vou ficar em um lugar que não me faz bem, se ligou?! Não dá não, mãe. Aturei muita piada da parte daquele fdp, se eu continuar aqui vai ser pra quebrar ele na madeira.
Última atualização: 2024-01-10
Chapter: Setenta e trêsNEGUINHOA Martinha me expulsou do banheiro e eu logo fui até a porta, abrindo a mesma e a Sofia tava lá agarrada com um urso maior que ela.- Qual foi, feiosa? - Perguntei me escorando no batente da porta, e ela revirou os olhos, me fazendo rir. Com certeza foi a Manu que ensinou esse bagulho.- Já disse que feioso é voxe, seu idículo - Respondeu fazendo maior bicão e eu dei risada, pegando ela no colo e ela empurrou meu rosto contra gosto - Saí, saí - Deu risada quando eu enchi o seu rosto de beijinhos.- Fala aí, o que tu queria pô - Fechei a porta do quarto e fui andando pelo corredor, em direção as escadas.- O papai mandou chamar voxe - Disse segurando o urso pelo pescoço e eu neguei com a cabeça.Filho da puta, cara! Sempre me sacaneando, muda nunca.- Seu pai é um viado que não come ninguém. Por isso fica empatando os outros - Falei e ela falou um "viado é voxe", me fazendo dar risada.Sempre com a resposta na ponta da língua pô. Tu vê assim acha fofa e as porra toda, mas deix
Última atualização: 2024-01-10