LOGINTamara, uma bolsista no curso de enfermagem em universidade particular no Rio de Janeiro, enfrenta desafios após a morte do irmão pelo envolvimento com o tráfico. Seguindo os passos do falecido irmão para sustentar a família, ela mergulha de cabeça no crime, e ao investigar a morte do irmão, se envolve com Sagat, gerente do tráfico na comunidade. E sem saber que ele é responsável pela tragédia, ela acaba se apaixonando por ele. A trama explora a complexidade emocional e aborda vingança, dilemas morais e um romance complexo em meio ao cenário sombrio no submundo do crime.
View MoreTAMARA— Que atrevida — ele riu, encarando-me. Um sorriso frio, provocador. Ainda mantinha uma das mãos em um aperto firme no meu braço, parecendo disposto a qualquer coisa para não me deixar ir assim, tão facilmente. — Sua mãe não te ensinou que se deve respeitar os mais velhos? Principalmente aqueles que podem te matar.Questionou, e a ironia dançava nas entrelinhas de cada palavra dita por ele. Aquilo estava me irritando profundamente, a ponto de eu não medir o peso das minhas próprias palavras.— Você está me ameaçando, soldado? — sorri, amarga, deixando as palavras saírem mais afiadas do que deveriam.Ele inclinou a cabeça e se aproximou, observando o meu sorriso. Não pareceu surpreso. Pelo contrário. Agora havia algo divertido em seu olhar, como se tivesse acabado de encontrar o desafio mais saboroso da sua vida.— Você saberia se fosse... — sorriu, mostrando os dentes perfeitamente brancos e alinhados.Sua mão livre subiu sutilmente, e seus dedos tocaram a lateral do meu rosto,
TAMARA — Tamara, eu... eu liguei pra ele! Eu estive com você em todos os momentos, — lembrou, com a voz embargada — eu te ajudei nas buscas, a Talita recebeu meu apoio como irmã... porque... porque você está fazendo isso comigo? — perguntou, enquanto as lágrimas desciam, impiedosas sobre as suas bochechas. — Mas aí você soube sobre a morte dele, e não pensou duas vezes em ir embora. — Acusei, tentando me manter firme, mas, foi em vão. — Você nem se quer ajudou a pagar pelo velório, caramba! — A minha voz saiu engasgada, e a essa altura eu já estava chorando. Por deixar transparecer a minha fragilidade, ela pensou que eu daria alguma abertura para ela ter novamente uma aproximação. Mas, no momento em que ela deu alguns passos em minha direção e ergueu sua mão para me acalentar, o Mexicano deu um passo à frente, segurando seu braço em um aperto firme. — Se manda, você já fez o que tinha que fazer. Não tenta forçar nada, você sabe que eu não sou nenhum cavalheiro. Será um prazer te p
TAMARA— Aconteceu que eu surtei, — comentei, sorrindo sem humor. — Eu surtei pra caramba! Deixando de encarar a vista, virei-me para o lado contrário, onde estava o bar, apoiando minhas costas na grade. — Aquela foi a primeira vez, desde os últimos anos, em que eu perdi totalmente o controle. Sentir o pânico tomar o controle de todo o meu corpo foi bizarro pra caralho. Se não fosse você ter me tirado de lá, eu não sei o que seria de mim ou da minha mãe... — Despejei tudo de uma vez, esperando alguma reação da parte dele. Mas o silêncio entre nós prevaleceu, me deixando desconfortável. — Agora que já sabe, não tem mais motivos para ficar. Eu não estou mais em apuros — fui irônica — eu vou ficar bem, mas agora preciso ver como está a dona Talita. Eu não disse obrigado. Isso era óbvio. Contar o que havia acontecido, demonstrar que era importante ele saber... aquela era a minha forma de agradecer. Eu não era muito boa com palavras, e não era a melhor pessoa para falar sobre os meus
TAMARA Os braços que me tiraram daquele caos ainda me rodeavam. Ele estava me levando para longe. Longe daquele caos, longe da minha mãe, longe daquela casa que mesmo depois de anos, ainda me fazia lembrar e reviver o luto do meu irmão dia após dia, remoendo o fato de que ele não voltaria mais. Meu coração ainda batia fortemente em um ritmo descompassado; me trazendo a sensação de que meu peito poderia se rasgar ao meio a qualquer momento. E mesmo indo para longe de tudo aquilo, eu ainda me sentia sufocada; como se alguém quisesse me fazer suplicar pelo ar que me faltava... — Calma, porra! — ele me apertou, descendo o beco estreito com pressa, enquanto me carregava em seus braços... — Respira! Eu vou te tirar daqui. — suspirou, me encarando por um segundo. — Eu não vou conseguir... — minha voz saiu arrastada, a respiração ainda ofegante. Eu odiava essa sensação, e odiava ainda mais não consegui deixá—la ir embora sozinha — me ajuda, por favor! Meu pedido soou como súplica, mas












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