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13 - Não somos amigos.

Author: Ellen Souza
last update publish date: 2026-04-09 19:29:04

TAMARA

— Aconteceu que eu surtei, — comentei, sorrindo sem humor. — Eu surtei pra caramba!

Deixando de encarar a vista, virei-me para o lado contrário, onde estava o bar, apoiando minhas costas na grade.

— Aquela foi a primeira vez, desde os últimos anos, em que eu perdi totalmente o controle. Sentir o pânico tomar o controle de todo o meu corpo foi bizarro pra caralho. Se não fosse você ter me tirado de lá, eu não sei o que seria de mim ou da minha mãe... — Despejei tudo de uma vez, espera
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  • Minha Cura   14 - Fugindo de alguém, ratinha?

    TAMARA — Tamara, eu... eu liguei pra ele! Eu estive com você em todos os momentos, — lembrou, com a voz embargada — eu te ajudei nas buscas, a Talita recebeu meu apoio como irmã... porque... porque você está fazendo isso comigo? — perguntou, enquanto as lágrimas desciam, impiedosas sobre as suas bochechas. — Mas aí você soube sobre a morte dele, e não pensou duas vezes em ir embora. — Acusei, tentando me manter firme, mas, foi em vão. — Você nem se quer ajudou a pagar pelo velório, caramba! — A minha voz saiu engasgada, e a essa altura eu já estava chorando. Por deixar transparecer a minha fragilidade, ela pensou que eu daria alguma abertura para ela ter novamente uma aproximação. Mas, no momento em que ela deu alguns passos em minha direção e ergueu sua mão para me acalentar, o Mexicano deu um passo à frente, segurando seu braço em um aperto firme. — Se manda, você já fez o que tinha que fazer. Não tenta forçar nada, você sabe que eu não sou nenhum cavalheiro. Será um prazer te p

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    TAMARA— Aconteceu que eu surtei, — comentei, sorrindo sem humor. — Eu surtei pra caramba! Deixando de encarar a vista, virei-me para o lado contrário, onde estava o bar, apoiando minhas costas na grade. — Aquela foi a primeira vez, desde os últimos anos, em que eu perdi totalmente o controle. Sentir o pânico tomar o controle de todo o meu corpo foi bizarro pra caralho. Se não fosse você ter me tirado de lá, eu não sei o que seria de mim ou da minha mãe... — Despejei tudo de uma vez, esperando alguma reação da parte dele. Mas o silêncio entre nós prevaleceu, me deixando desconfortável. — Agora que já sabe, não tem mais motivos para ficar. Eu não estou mais em apuros — fui irônica — eu vou ficar bem, mas agora preciso ver como está a dona Talita. Eu não disse obrigado. Isso era óbvio. Contar o que havia acontecido, demonstrar que era importante ele saber... aquela era a minha forma de agradecer. Eu não era muito boa com palavras, e não era a melhor pessoa para falar sobre os meus

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    TAMARA Os braços que me tiraram daquele caos ainda me rodeavam. Ele estava me levando para longe. Longe daquele caos, longe da minha mãe, longe daquela casa que mesmo depois de anos, ainda me fazia lembrar e reviver o luto do meu irmão dia após dia, remoendo o fato de que ele não voltaria mais. Meu coração ainda batia fortemente em um ritmo descompassado; me trazendo a sensação de que meu peito poderia se rasgar ao meio a qualquer momento. E mesmo indo para longe de tudo aquilo, eu ainda me sentia sufocada; como se alguém quisesse me fazer suplicar pelo ar que me faltava... — Calma, porra! — ele me apertou, descendo o beco estreito com pressa, enquanto me carregava em seus braços... — Respira! Eu vou te tirar daqui. — suspirou, me encarando por um segundo. — Eu não vou conseguir... — minha voz saiu arrastada, a respiração ainda ofegante. Eu odiava essa sensação, e odiava ainda mais não consegui deixá—la ir embora sozinha — me ajuda, por favor! Meu pedido soou como súplica, mas

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    MEXICANOColoquei a chave na ignição, jogando a bandoleira para trás trazendo o fuzil para a frente no modo porte e montei na moto acelerando em meio as ruas estreitas do morro, a fim de chegar mais rápido ao pegar os atalhos, mas o caminho parecia ficar ainda mais longe à medida que eu avançava entre as vielas.Era estranho, essa sensação era desconhecida para mim quando eu só estava esperando arrependimento. Eu não deveria estar desesperado para chegar, ou preocupado demais com alguém que eu tinha acabado de conhecer. Eu não era do tipo que tinha empatia por qualquer pessoa, mas aquele choro me comoveu o bastante para eu abandonar o plantão e sair sem ao menos olhar para trás.Mas quem eu queria enganar? Ela era uma das poucas pessoas que realmente tiveram um diálogo duradouro comigo sem que me achasse um grande filho da puta, e mesmo eu ignorando, isso mexeu comigo. Eu odiava ver uma mulher chorar.Atravessei uma última viela e passei para o outro lado da rua, parando em frente ao

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